<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332</id><updated>2011-07-08T07:13:33.138-07:00</updated><category term='memórias'/><title type='text'>Livre Pensador</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-8027854188088846714</id><published>2010-07-19T09:19:00.000-07:00</published><updated>2010-07-19T09:53:44.177-07:00</updated><title type='text'>Sonhos quase realizados</title><content type='html'>Quando no Império Romano se pensava que o sonho da chamada Pax Romana estava concluida já que todas as estradas se ligavam entre si para chegar a Roma, capital do Império, e uma lingua e uma moeda prevalecia, e tal como numa grande orquestra regida pelo Imperador, começa a decadencia e o seu fim.&lt;br /&gt;Posteriormente apareceram novos Maestros a reger a Europa ou pelo menos com a intenção de o fazer, em França Napoleão sonhou e quase concretizou, desde a Espanha ao Ural.&lt;br /&gt;Depois na Russia Zinoviev tentaria homogeneizar toda a doutrina Marxista ou melhor para que a nova doutrina dominasse o pensamento não só da Europa mas do mundo.&lt;br /&gt;No mesmo pensamento na Inglaterra, a rainha Vitoria vanglorizava-se de no seu Império e sob a Bandeira do seu país nunca se pôr o sol.&lt;br /&gt;O sonho continuaria com Hitler, uma hegemonia alemã, que após a sua derrota no final da II Grande Guerra 1939/1945 morreria. Com outras finalidades, mas na génese da União Europeia Jean Monet, com o apoio de Robert Schuman, Paul Henry Spaak e Alcides Gasperi nasce a Comunidade Europeia do Carvão e Aço, que irá ser alterada quer em nome pelo Tratado de Roma e por último pelo Tratado de Lisboa, abrangendo todos os paises da Europa.&lt;br /&gt;E, quando se começava a cantar vitória, eis que todo o mundo fica abalado por uma crise económica e monetária.&lt;br /&gt;Tal como a Pax Romana a moeda não com a esfinge do Imperador mas agora com o mapa da Europa é necessário fazer algo para ser sustentavel.&lt;br /&gt;Assim, aparecem novos profetas para essa unidade europeia, não à União Europeia mas sim a uma Federação Europeia, com um Lider.&lt;br /&gt;Lider que represente todos os Estados,que venha reger todos os Estados.&lt;br /&gt;Um Lider, um homem...&lt;br /&gt;O povo hebreu há muitos anos pediu um Rei, e teve Saúl,&lt;br /&gt;O homem de hoje pede um LIDER.&lt;br /&gt;Nos entre tantos da história, na Pax Romana foi chamada Plenitude dos Tempos, Deus no Seu Tempo enviou o Salvador, Jesus Cristo.&lt;br /&gt;Iremos entrar a pedido do povo numa Pax Federativa, para quê palavras...&lt;br /&gt;Uma palavra, na lingua aramaica que o povo hebreu pediu um Rei me ocorre - Maranata - Nosso Senhor Vem!!!&lt;br /&gt;Nelson Lino Maio 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-8027854188088846714?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/8027854188088846714/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=8027854188088846714' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/8027854188088846714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/8027854188088846714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2010/07/sonhos-quase-realizados.html' title='Sonhos quase realizados'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-2713476717818410886</id><published>2008-12-28T09:42:00.001-08:00</published><updated>2008-12-28T09:42:44.558-08:00</updated><title type='text'>Gostas de Malmequeres Azuis?</title><content type='html'>Uma história de duas vidas e de um amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                      À&lt;br /&gt;                                                                                       Minha mulher e aos meus filhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                               A história das vidas e do amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                    de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blisanda e Picanço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conta uma lenda antiga que um pastor apanhou uma águia e que lhe colocou uma corrente presa ao penhasco.&lt;br /&gt;A águia tentou voar para se libertar, o pastor quando passava deixava comida, muitos Invernos depois a corrente partiu-se, a águia finalmente estava livre, mas perdera a vontade de voar e deixou-se ficar no penhasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHÃO DAS URZES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamar aldeia ao Chão das Urzes era por bem dar-lhe a importância que um dia tivera nas lutas entre portugueses e castelhanos e que era um dos temas sempre lembrados e melhorados nas longas noites de Inverno à volta da lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vista do alto da estrada lembrava uma pata de galinha, já que as ruas partiam de um pequeno Largo da Igreja erigida em honra de S. João cuja imagem com o cordeiro nos braços fora sempre a inveja do Bispo que a queria levar para a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ruas terminavam nos campos hoje sem cultivo em que as urzes e as balsas ganhavam espaço com excepção da que vinha da outra aldeia e cruzando o Largo ia morrer a Espanha, assinalada por um pequeno marco e umas ruínas que marcavam a fronteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias dos tempos do contrabando e dos guardas iam-se perdendo por o esquecimento dos mais velhos e desinteresse dos mais novos, dos tempos em que o Chão das Urzes tivera vida, restavam a loja do senhor Manuel, que vendia de tudo desde o vinho ao azeite, dos atoalhados aos anzóis para a pesca na Ribeira a légua e meia da aldeia e a taberna do Chico Gordo, local de encontro de toda a gente, com o seu balcão de mármore de Estremoz e dois grandes emblemas do Sporting e do Benfica que ladeavam a placa que informava que aquele estabelecimento tinha oito lugares sentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como recordação ficara as oficinas agora paradas do Paulino, o abegão e do Zé Vesgo que com boa vontade ainda desenrascava o necessário pingo de solda no balde ou umas pancadas com engenho e arte na pá do arado, e as casas arruinadas dos lavradores, cujos netos viviam na cidade, só aparecendo no dia da procissão, ou de alguma caçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos resistentes lá apareciam na taberna ou na loja gastando as magras reformas, e a D. Rosa que tinha as chaves de toda a aldeia com o seu filho João que ninguém se lembrava de o ter visto fazer qualquer coisa com excepção de não faltar à missa quando da visita do padre uma vez por mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela festa de São João a aldeia renovava-se de vida, muitos dos que haviam partido regressavam nessa data, e, não só eles eram os filhos, os netos e os amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A procissão deixara de ser um acto de fé para os mais novos mas um motivo de confraternização, de recordação para os mais velhos dos seus tempos de mocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água da fonte tinha o sabor da melhor bebida, e a fruta não havia comparação com aquela que se vendia na cidade, por um fim-de-semana era um pequeno paraíso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ruas cheias de carros, a banda a tocar, mais um ou dois artistas para o baile, a garraiada e a Igreja limpa para a procissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E chegada a terça-feira outra vez a solidão, e as mesmas conversas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BLISANDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tia Blisanda era a habitante mais idosa da aldeia, todos a conheciam e era como se da família fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia no final da rua, que desembuçava no caminho da fonte, numa pequena casa em que a maior divisão no rés de chão havia sido a do burro até á sua morte, contudo não vivera sempre na aldeia, na idade em que as crianças começavam a brincar fora levada pela Senhora para a cidade para olhar e fazer companhia ás Meninas.&lt;br /&gt;Essa fora a razão que lhe ficara na memória, quando escutara a conversa entre a Senhora e os pais, atrás do tabuado que dividia a cozinha do quarto onde com os irmãos dormia.&lt;br /&gt;Fora a razão que ela guardou para contar, a outra a das razões dos pais preferiu esquecer era uma boca a menos á volta da mesa.&lt;br /&gt;Partira para a cidade e dos primeiros tempos, lembrava-se de ter sido levada á janela para ver muitos soldados passarem e o doutor Sousa dizer que eles iam para França para a Guerra, e de ver crescer as Meninas, a professora que aparecia e muitos rostos que entravam e saiam para visitar os senhores.&lt;br /&gt;As melhores recordações era de quando os senhores saíam e ela ficava com a senhora Teresa a cozinheira ouvindo histórias e partilhando os seus sonhos&lt;br /&gt;Ali se fizera mulher, poucas vezes saia de casa, espreitando a rua pela janela e vendo ao fundo uma Igreja que parecia cortar a saída para a sua aldeia.&lt;br /&gt;As Meninas cresceram, foram estudar e a casa ficou mais vazia e triste, e ela agora tinha outras responsabilidades na vida da casa.&lt;br /&gt;A tia Blisanda quando alguém parava á porta gostava de contar a sua vida, e mais uma vez contou a sua :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, que nascera igual a tantos outros, era Outono, o fumo das castanhas entrava pela janela entre aberta, a Senhora chamara-a á sala e na sua voz que nunca se sabia se estava alegre ou triste disse-lhe:&lt;br /&gt;- A tua mãe está doente, amanhã de manhã, o Faria, leva-te á camioneta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Faria lembrava-se bem dele baixote cabelo liso rosto vermelho sabia sempre tudo e era o homem de confiança do doutor Sousa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não jantara, o coração batia com mais força, e lembrava-se que recordara coisas da aldeia, á memória os rostos dos pais e o cheiro da casa.&lt;br /&gt;O Faria com aquele ar de lambe botas meteu-a no carro e levou-a á camioneta, da janela do carro tudo na cidade lhe era novo, a cidade acordava, era o vai e vem de homens, cestos, caixotes, o abrir das grades das portas os primeiros pregões da manhã.&lt;br /&gt;O Faria falou com o motorista, deu-lhe uma nota recebeu o troco e disse-me adeus.&lt;br /&gt;Era uma camioneta de riscas verdes com um animal pintado junto ás janelas, partiu e as pessoas com os rostos colados aos vidros olhavam para as ruas e depois para a estrada.&lt;br /&gt;A estrada depois de um número incontável de curvas entrara na planície para depois subir a serra, e foi como se tivesse acordado que ouviu o motorista.&lt;br /&gt;-Olha é na próxima paragem, vai-te preparando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a camioneta parou não havia mais ninguém que um jovem, que não conheci, era o Manuel, o bebé que eu me recordava vagamente nos braços da minha mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim ia recontando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo lhe pareceu estranho, a rua, os cheiros, o chocalhar das ovelhas, o Manuel disse-me que o doutor Sousa tinha telefonado para a taberna a dizer qual a camioneta que eu chegava, fui eu só que desci e assim ele sabia que seria eu a sua irmã Blisanda que a mãe chamava na força da febre.&lt;br /&gt;A casa reconheceu-a e quantas vezes a recordara, á porta um a pedra alta fazia de degrau, e a janela de cima tinha duas pedras de granito onde dois vasos de sardinheiras descansavam, a casa á muito precisava de cal, mas era a casa onde nascera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou a mãe estava deitada, um rosto que lhe transmitia, ternura e tristeza ao mesmo tempo, a cama de ferro a velha colcha de lã aos quadrados que não se sabia bem já as cores, a arca com remédios, caixas e mais caixas, e aquele crucifixo na parede.&lt;br /&gt;Um quarto sem luz, a porta para um pequeno compartimento que ligava á cozinha, nada havia mudado, só os anos tinham tornado tudo mais triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocou as mãos nos ferros da cama, olhou para a mãe, era uma estranha, já que as conversas, os pequenos segredos a distância tinha feito morrer a intimidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, esta foi o inicio de uma vida, que ia contando e muitas vezes repetindo do seu grande amor e do seu homem , o seu Picanço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suo tempore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na pedra em frente da taberna, o Torcato e o Zeferino viram-na passar, mas não lhe falaram estavam mais interessados nas suas conversas de sempre, aquelas casas -nos velhos tempos estavam sempre cheias de vida e agora vazias era razão para as suas recordações, e o Torcato falava como para si mesmo, não sei como cabiam nestas casas tanta gente, o piso de baixo era para o burro e para entrada do porco e de alguma cabra, em cima na cozinha e nos dois quartos viviam ás vezes com cinco filhos ou mais, a minha mãe teve sete.&lt;br /&gt;O Zeferino abanava a cabeça com o cigarro colado ao lábio acrescentava, não havia dinheiro, os patrões pagavam com o feijão e outros cereais que nós trabalhávamos e no fim do ano íamos pagar os fiados á mercearia, o dono ainda passava a rasoira bem rente na fanga (1).&lt;br /&gt;Não bastava o que o feitor nos tirava o gajo levava-nos o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não estamos melhor, respondeu o Torcato, reparaste na moça que ia com o Manuel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim era a Blisanda, a irmã que foi servir para a cidade lá para casa do doutor, a mãe não deve estar bem, para eles a deixarem vir.&lt;br /&gt;A porta da taberna apareceu o Chico Gordo, não fazem despesa e estão na calhandrice, ao menos entravam de vez para beber um copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) Fanga medida de cereal, rasoira instrumento para tirar o excesso da fanga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PICANÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o seu corpo entroncado, chapéu enterrado até ás orelhas, em que a fita à muito perdera a cor, blusa de lã gasta pelo uso, sentado no degrau da escadaria da Igreja olhava o Largo, em que do outro lado no banco que fora pintado de vermelho três antigos companheiros das ceifas e de outros trabalhos com olhar perdido encostados ás bengalas aguardavam o fim do dia para irem para a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, pensava a vida para ele seria diferente, tinha de conseguir concretizar aquelas ideias, acreditava que o seu grande amor e os filhos que Deus lhe desse teriam outra e melhor vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque seria que toda a gente lhe chamava de Picanço, nunca pensara que tivesse outro nome até ter sido chamado para as “sortes” nesse dia o Regedor chamou-o e disse-lhe:&lt;br /&gt;- Amanhã estás aqui e levo-te á vila, a ver se és homem para a tropa, ouviste António Manuel?&lt;br /&gt;Como é que ele sabia o seu nome, devia ser por saber ler, ou por estar a falar com aquele Guarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados tempos, de guardador de gado, de colocar armadilhas para caçar coelhos de poder correr pelos campos e tomar banho nu na ribeira, era o “trezentos e vinte e um da 4ª.companhia”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pouco tempo fora o António Manuel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele tempo de tropa fora um tempo estranho, não havia chocalhos das cabras e ovelhas a acordá-lo mas um som de um clarim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente apressada, sem poder estar meio deitado na pernada da figueira fidalga, olhando o gado, ver nascer as crias, olhar o voar dos pássaros apanhar o peixe na ribeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho das botas, aquelas paredes altas que pareciam uma prisão, a voz de garrafão do sargento que lhe zunia os ouvidos” esquerdo, direito, esquerdo…um dois”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse tempo um pensamento lhe viera á cabeça quando com uma arma ficava á porta do quartel a guardar não sabia bem o quê, do pássaro de penas coloridas que apanhara junto ao moinho, e que prendera no palheiro, o pássaro deixou de cantar e parecia que chorava e ele deixou-o partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias corriam sempre iguais o acordar, comer, marchar, comer, marchar, comer e deitar, não podia sair e ali ficava, até que um dia foi chamado á porta e lá estava o seu irmão, o Zé Gervásio.&lt;br /&gt;O Zé antes de falar com ele, começou a falar com o oficial como de há muito se conhecessem, e o oficial escreveu um papel e disse-lhe que nessa noite podia ficar fora desde que no outro dia logo de manhã voltasse, aquele papel o irmão explicou chamava-se “dispensa”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suo tempore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé Gervásio, era o irmão mais velho que o Picanço, por sorte do padrinho, que estava estabelecido na cidade, fora ainda de calções para a sua casai, já que fizera a terceira classe, fora marçano, terceiro caixeiro e agora era vendedor de tecidos, bem parecido corria o país todo, e deixara a aldeia, tinha casado com uma jovem de outra cidade que conhecera nas suas andanças e da aldeia só ficara a lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que o Picanço assentara praça e lembrara-se de o visitar, e lá o levou para a pensão onde outros seus colegas de vida se encontravam, foi apresentado jantaram e no café o Amandio, que representava uma firma estrangeira de agulhas e linhas para cozer, lembrou-se vamos ao Bar da Rosa, ver as miúdas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Picanço apanhado naquela alegria dos companheiros do irmão lá foi atrás, havia pouca luz e muito fumo, sala tinha além das mesas umas cadeiras forradas com um tecido às flores, os homens e umas raparigas de roupas leves falavam alto e muitas gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das raparigas sentou-se junto do Picanço, dizendo que gostava de fardas e puxou conversa, o Zé Gervásio apanhando a cena, perguntou-lhe porque é que não avançava, aquilo não era de homem, e tomou a iniciativa dizendo qualquer coisa ao ouvido da rapariga, que pegando na mão do Picanço levou-o para os fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rapariga a Jacinta, levou-o para um pequeno quarto, e entre beijos, foi ali naquele pequeno espaço e que o Picanço conheceu pela primeira vez dama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De regresso ao quartel era o mesmo rame rame se não fora as longas conversas com o Tiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tiago sabia escutar e insistia em que ele aprendesse a ler bem, e falava-lhe de homens que escreviam versos e livros com frases que o faziam pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos outros quase não se lembrava era só conversa de miúdas e de copos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS SOUSAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa do Sousa era na aldeia, de primeiro andar e boas varandas em ferro, vinha de uns dons dados a um tio padrinho de Francisco d’Aragão y Sousa, cónego e secretário do Bispo, confessor da duquesa, que por favores e de estar sempre disponível dela recebera a casa e os terrenos da ribeira até para lá da raia de Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua morte recebera todos os bens do tio padrinho, e por influência do outro tio, irmão de sua mãe, que não era bem visto lá em casa, começou a ler Antero de Quental e Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, João de Deus e Junqueiro e guardava deste autor as obras Pátria e Horas de Combate e acompanhou-o nas Conferencias do casino mais tarde quando a Monarquia caiu e o Rei desapareceu para outras terras assumiu as suas ideias de Republicano, tirou o Y que cheirava a outros tempos e de noite para o dia o primeiro Senador eleito pelo novo governo com a complacência do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco d’Aragão Sousa viveu dos bons rendimentos deixados pelo tio, casou, e do casal nasceram dois rapagões, o António e o João D´Aragão Sousa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O João fiel aos primeiros ideais de seu avô continuou fiel á Casa Real, e mudou-se para a Portada, aldeia não muito distante terra dos seus avós maternos e de quem herdara da parte da mãe uns bons terrenos e casas de lavoura, solteiro só quando não podia é que se encontrava com o irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António D´Aragão Sousa, o pai mandou-o estudar, Coimbra foi o seu destino, e com seus quarenta anos bem vividos e um diploma nas mãos, voltou à terra e pensou assentar de vida. e levar as ideias republicanas de seu pai para a aldeia.&lt;br /&gt;Era a festa do Santo na aldeia e não por religiosidade mas por tradição os que tinham partido regressavam, depois de um vai e vem das poucas mulheres da aldeia, terem aberto as janelas, sacudido as mantas dado pequenos arranjos e apanhado as ervas dos pátios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José da Costa Mendes também veio da capital, saber dos feitores receber o dinheiro da cortiça, do azeite e do vinho, com ele a filha de nome Mercedes, que mais um ano vinha fazer as suas orações para que lhe fosse concedida a graça de um marido ao gosto do pai.&lt;br /&gt;Seca de carnes, com o nariz afilado, com os olhos de pássaro a espreitar a presa.&lt;br /&gt;António D´Aragão Sousa deu-se de amores e quando a primavera chegou o Padre Julião juntou-os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram a viver na casa grande na aldeia dando problemas aos feitores, já que a Mercedes de tudo queria saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados os tempos próprios nasceram duas meninas, a Constança Margarida, que era a mãe, magra e sempre pronta para escutar as conversas e a Maria Guiomar era o pai, obeso, com o eterno problema do apetite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando José da Costa Mendes, farto de boa vida morreu, o casal mais as filhas partiram para Lisboa, deixando a aldeia e foram viver para a casa onde a Mercedes nascera, com a promessa que viriam buscar uma pessoa para ajudar a criar as Meninas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O BARRANCOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O José Manuel “ O Barrancos” tinha vindo para a aldeia com um grupo de ceifeiros para trabalhar na casa de Francisco D´Aragão Sousa, quando os outros partiram ficou-se e com o consentimento do feitor numa pequena casa junto aos palheiros no Chaparral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornou-se o empregado indispensável, já que era ele que ia recolher os gados e vigiá-los, o feitor incentivou-o a tirar as cartas e na lavra dos terrenos era ele o primeiro a avançar e todos os serviços que o feitor não gostava de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Integrou-se de tal forma que da sua terra só ficara a alcunha “ o Barrancos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na festa de Agosto, na garraiada, quando depois do desafio da malta, fora pegar a vaca avermelhada que conheceu a Bia Anica, num trocar de olhar se uniram e todo o baile dançaram e quando a noite já ia alta de mão dada foram até ao chaparral entre beijos e lágrimas os dois se encontraram e estendidos nos pastos viram o abrir dos malmequeres com os primeiros raios de sol.&lt;br /&gt;Meio envergonhados ou melhor comprometidos olharam para os campos e foi quando o Barrancos falou da sua a terra, desde que viera para as ceifas nunca mais voltara, e ao ver-se deitado no campo ao lado da Bia, não sabia bem porquê lembrou-se dos campos da sua meninice, aqueles campos que ele bem conhecia, onde caçara coelhos e se fizera homem.&lt;br /&gt;Talvez a necessidade de partilhar aquilo que sentia no coração, a mãe se ainda fosse viva gostaria de conhecer aquela rapariga com aqueles olhos e como que voltando à realidade, tocando ao de leve na mão da Bia disse como para si mesmo, na minha aldeia nos campos há malmequeres de outras cores. No quintal da minha mãe existem azuis, Gostas de malmequeres azuis?&lt;br /&gt;Ela respondeu-lhe se tu gostas, eu também irei gostar, hás-de dar-me um.&lt;br /&gt;Com a resposta o Barrancos compreendeu que o seu amor era respondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol já aparecia atrás do montado, quando caminharam para a aldeia, toda a gente dormia na ressaca da festa, quando se despediram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma despedida com um até já, pois sabiam que a seu tempo ficariam juntos para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada ia pensando no outro, mas as obrigações do dia a dia os chamavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O JOSÉ CARLOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O José Carlos, de alcunha o Zé da Avó, já que fora criado com a avó, fora de muito novo aprender o ofício de ferrador, á volta dos burros e afins se fizera homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tronco grande e pernas curtas era forte e seguro para agarrar as bestas e com pancadas certas meter-lhes os cravos nas ferraduras, e quando o Manuel ferrador deixou de trabalhar por força dos anos daquelas lides, foi ele que ficou com a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quase tudo o que acontecia na aldeia, o doutor António Aragão e Sousa, foi o padrinho da união do José Carlos com a Francisca Maria, que trabalhava lá em casa quando a família vinha á aldeia e nos campos á ordem do feitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa só regressava á noite já que o almoço levava feito pela Francisca Maria ainda o sol vinha longe, o dia passava não só com os animais, mas ia desenrascando um arranjo e pingos de solda nos muitos tachos, baldes e panelas que lhe levavam para arranjar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Francisca Maria continuava a trabalhar nos campos, ordenhando as cabras e todos os trabalhos que eram precisos, tratava da casa e á noite satisfazia o José Carlos, assim a família crescia e a Blisanda foi a quarta filha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só três dos filhos tinham o apelido da mãe, embora todos fossem seus filhos, o problema fora do notário a fazer o registo, que com o seu nariz bem vermelho e faces rosadas gostava de por os nomes à sua maneira, mas como o problema era com o nome da mãe para quê levantar questões com o senhor doutor.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O Manuel apareceu já se julgava livre dessas lides de ficar prenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos, a casa, as duas cabras e o porco e o José Carlos preenchiam os dias da Francisca Maria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marido ao domingo tirava um tempo para ir para a Taberna e ela ia à Igreja quando o senhor Padre vinha celebrar a missa o que para ela era um tempo de conforto e de felicidade, já que embora não percebesse nada do que o Padre dizia, já que falava outra língua, que a D.Mercedes uma vez lhe dissera um dia que era latim, sentava-se no banco levantando-se e ajoelhando-se quando os outros o faziam e o resto do tempo gozava o cheiro do incenso que saia da naveta e olhava para o seu balançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, era ali que pensava na sua vida e nos filhos que Deus lhe dera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além deste tempo que era o seu tempo, era o tempo do marido da casa da comida e dos filhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como lhe dissera um dia a mãe: - filha a vida da mulher é casar, fiar, parir e morrer, mas mesmo assim não queria ter outra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMAVERA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pedido do doutor António Aragão Sousa, o Picanço e a Blisanda haviam ido viver para a sua casa em Chão das Urzes era uma boa maneira que a casa não estivesse desabitada já que a sua vinda à aldeia cada vez era mais rara, ele andava envolvido no seu sonho de um país melhor com longas reuniões no Partido Republicano e no Governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia no fim de Maio já a noite vinha perto, apareceu em sua casa no Chão das Urzes, de barba por fazer e tão disfarçado que a Blisanda não o reconheceu e depois de breves palavras o Picanço levou-o escondido na carroça á casa do irmão na Portada, onde viveu longos meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Picanço contou –lhe depois que um General tinha organizado um golpe militar no norte do país, numa cidade chamada Braga,(2) e tinha vindo até á capital onde tinha deposto o Presidente da República, e ao pedir para guardar segredo, confidenciara que nada seria como dantes.&lt;br /&gt;Passados alguns meses e já com o doutor em Lisboa, Blisanda não teve consciência que estava grávida, só aquele amargo de boca e sentir a saia mais apertada.&lt;br /&gt;Não disse nada ao Picanço e uma tarde apanhando a senhora Adília, a vizinha vivida de anos o que seria aquilo que sentia, ao que ela lhe respondeu mostrando as gengivas rosadas, temos rapaz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim foi quando naquela manhã quando semeava nabiça, sentiu umas dores estranhas, e a senhora Adília trouxe ao mundo o António Manuel, o seu menino, com o nome do pai.&lt;br /&gt;E quando a noite ia chegando e o Picanço voltava com o burro e uns atados de chamiços, a senhora Adília esperava-o para lhe dar a novidade.&lt;br /&gt;O rapaz era comprido parecia que havia nascido de véspera, e o Picanço foi celebrar para a taberna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite junto á lareira a Blisanda lembrava-se da conversa tida com o Picanço.&lt;br /&gt; Era bom que tivéssemos uma casa nossa, ao que ele lhe havia respondido:&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;As Meninas tem uma casa no caminho da Horta Velha que há muito não vive ninguém, e se tu lhe escrevesses para que elas pedissem aos pais que nos vendesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim o fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados muitos dias lá veio a resposta à carta, e com o consentimento das Meninas se mudaram&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A casa era boa para eles e depois de pequenos arranjos tudo parecia bem, já que o António Manuel crescia e corria pelos campos.&lt;br /&gt;Um fim de dia o Picanço ao regressar dos campos encontrou a mulher deitada cheia de febre, saiu e for ter com o regedor, que os levou ao médico da vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico viu a Blisanda e depois de observá-la certo tempo veio cá fora dizendo ao Picanço e ao Regedor que era tifo e que precisava de muito descanso e medicamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blisanda esteve muito tempo entre a vida e a morte, e quando se curou, toda a aldeia achou que fora um milagre do S. João e das rezas a ele levadas, e foi então que soube que o médico quando viera á aldeia, enquanto delirava com febre lhe fizeram um aborto e não poderia ter mais filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi nesse tempo, quando a besta ao ser ferrada endoidou e deu um coice no peito do Zé da Avó que morreu de imediato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) O golpe militar de 28 de Maio de 1926&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MANUEL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Manuel, mal aprendera as letras, foi aprender o ofício com o pai do Zé Vesgo, queria ser serralheiro, o pai bem o tentou convencer que não. Seria bom que ele aprendesse a amanhar a terra, e aprender dos campos, ele era o mais novo o que ficara em casa e que o poderia ajudar nos seus trabalhos.&lt;br /&gt;Mas ele não quis ouvir, saiu de casa e foi á procura de uns tios que viviam noutra cidade, para concretizar o seu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí encontrou trabalho e os tios lá lhe dispensaram um pequeno quarto, e a maior parte do que ganhava era para pagar o favor dos tios, e por lá foi vivendo até ser chamado para a tropa, deixando a casa dos tios e apalavrada a namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo da tropa não foi mau, havia pouco que fazer na oficina onde fora destacado e assim foi estudar mecânica o que ele gostava, e terminado o tempo rumou para outras terras à procura de trabalho, já que lhe fora prometido um lugar numas oficinas do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade agora para onde fora viver era bem diferente da terra onde nascera e crescera e tudo o que deixara tomou nas suas recordações a imagem de beleza, de paraíso, e, em tudo fazia comparações, não era o seu espaço, mas a vida era-lhe ingrata, e pelo seu orgulho não voltaria à sua aldeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho era interessante, mas para ele as pessoas eram diferentes do que ele imaginara, ou melhor o que aos seus olhos eram diferentes, já que a realidade da vida da cidade não tinha nada com a vida e com o diz que diz da aldeia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade a competição e a sobrevivência era mais clara, e para o Manuel que bem novo saíra da aldeia, não se apercebera que a sobrevivência na aldeia era a mesma, mas pela calada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra realidade que ele não aceitava era a atitude sempre cordata do chefe da oficina com os engenheiros, coisa normal para sobreviver, quando tão poucos empregos fixos haviam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia teve oportunidade de mudar de terra e pensou que os conflitos consigo mesmo, e com os outros acabariam, puro engano com ele foram os conflitos com os colegas, mas uma vitória teve foi cortar por completo com os elos de amizade da mulher.&lt;br /&gt;Esquecendo que ao partir da sua terra a mulher deixou de ser ela própria e foi como que começasse a morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de voltar um dia à sua aldeia mostrando que tinha sido um vencedor, mas como não o era, e por isso sofria e quem pagava as suas frustrações era a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CATARINA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Catarina, quase não conhecera o pai, pois bem menina o pai, homem com alguns bens, morrera jovem, deixando-a com a mãe, e o rendimento de uma casa e o barco de pesca.&lt;br /&gt;A mãe vendeu o barco, ou melhor ofereceu-o a um sobrinho, e começou a utilizar os dons que Deus lhe dera, a costura, para as amigas que não a deixaram só na sua viuvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim a Catarina cresceu acompanhando os sonhos das filhas das amigas da mãe, e como herdara sem o ter conhecido o gosto de ler do pai, como lhe era dito pela mãe, interessou-se pelo teatro e poesia e foi após ter participado num recital com as amigas no Clube de Ciclismo A Roda que conheceu o Manuel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um namoro pequeno sem se conhecerem bem, como ela explicaria mais tarde devia ter sido por amor, e depois lá casaram, com o esforço da mãe e das amigas, com uma pequena festa após a cerimónia na Igreja Paroquial e foram viver para uma casa junto ao jardim. Era o desabrochar de uma nova vida com muitos sonhos&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;O Manuel era teimoso, não gostava de aceitar favores, e aos poucos foi cortando as amizades da Catarina, e ela ia ficando cada vez mais só, já que ele se entretinha no Clube de Ciclismo quando deixava o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia trouxeram-no muito ferido, não dizia coisa com coisa, e por casa ficou dias, meses, estendido na cama, sem ordenado e a mãe vendeu a casa para sustentar a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando melhorou e voltou ao trabalho, voltou ao eterno conflito consigo mesmo e com os colegas, e foi a esse tempo que a Catarina engravidou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só com a mãe ela lá ia passando os dias até que chegou a data do nascimento. Foi um parto de risco, e o médico lá conseguiu salvar a mãe e o filho que de logo necessitou um medicamento muito raro para sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suo tempore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho ia crescendo com muitas dificuldades, para a Catarina se Deus lhe tivesse dado uma menina é que teria sido bom veria nela uma companheira, um filho nunca seria um confidente, mas sim uma carga, uma responsabilidade, e para isso bem já lhe bastava o Manuel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o Manuel, aquela criança frágil não lhe dizia nada, seria outro fracassado como ele, pensava, com aquela magreza nunca seria um serralheiro, e era a mãe da Catarina que tinha sempre uma palavra de carinho para o neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Manuel quando o filho já andava na escola, mostrando a sua frustração comentava coma Catarina, o filho do seu irmão Francisco era que era bom, ele tivera sorte, bom aluno a tirar o Curso de Engenheiro no Colégio Militar, de boa aparência e bom gosto e com um palavreado que ninguém o levava preso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele ia visitar o tio nas férias era um não acabar de conversa e fazer comparações para o azar com o filho à volta da mesa e dos nacos de queijo e dos petiscos que a Catarina preparava para o sobrinho do marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, o Manuel ia sempre comparando a sua vida, com a dos outros que com ele trabalhava, deixando a Catarina sozinha em casa, com a desculpa de que o chefe de serviços o mandara fazer um trabalho noutra terra, ele chegava a passar mais do que uma semana fora, deixando a Catarina numa pilha de nervos, e quando regressava falava da sua terra e das gentes que deixara, e era então nas poucas conversas que ia tendo com o filho, falava-lhe dos encantos da sua terra. Aquilo é que é boa gente, não é como esta daqui, rematava todas as conversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, o filho ouvia as histórias de uma terra que imaginava onde se vivia melhor, do que na sua casa em que o olhar triste e magoado da mãe era presente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FRANCISCO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Francisco tinha sido o primeiro filho, e tinha as preferências do Zé da Avó, pela maneira de tirar sempre bom partido em tudo o que se metia, só com um senão não aguentava nenhum emprego, nem nenhum amor, e foi quando conheceu a Guida, irmã do seu companheiro de caçadas e pescarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Guida, muito pequena tinha ido para a cidade com uns tios e o Francisco não se lembrava de a ter visto, ela viera porem os tios fizeram questão que se casasse na aldeia onde nascera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma jovem com um ar muito diferente das raparigas que o Francisco conhecera, com os seus olhos brilhantes e o seu ar brejeiro batera forte no coração do Francisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava noiva e por isso viera a Chão das Urzes do José Albano, ele também filho de pessoas da aldeia que há muitos anos haviam partido para a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O noivo tinha todos os maneirismos da cidade e segundo conversa na Taberna do Chico Gordo, era empregado numa grande empresa de tecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no casamento que conheceu a irmã do José Albano, a Maria da Graça. Ninguém incluindo a família percebeu a pressa do Francisco querer casar com a a Maria da Graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só haviam passados dois meses e lá se realizou o casamento na Capela de S. Pedro, e foram morar para a Casa da Charneca que os sogros lhe ofereceram .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem nessa noite nem nas noites seguintes o Francisco conseguiu cumprir as suas obrigações conjugais, o seu pensamento estava na Guida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem rezava a Maria da Graça, mas foram só tempos de discussão de encontros e desencontros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O José Albano  também começou a deixar a mulher na aldeia, pois a empresa começou a mandá-lo para Espanha, e o Francisco começou a encontrar-se com a Guida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois o casamento foi anulado pela Santa Madre Igreja por falta de consumação, e pelos falatórios da aldeia, o José Luís ameaçou matar o Francisco, e assim  mais uma vez o Zé da Avó salvou a situação pedindo ao Regedor que o recomendasse ao Comandante Peixoto da Guarda Nacional Republicana.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Assim com a recomendação do Regedor lá entrou na Guarda, e logo no primeiro Posto que foi colocado conheceu a Rosália, bem nutrida de carnes e filha única do Amadeu que tinha uns bons montados de sobreiros&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Quando chegou a Cabo, ficou a tomar conta do Posto com mão de ferro, e gabava-se quando lhe traziam presos ciganos ou de outra raça, primeiro antes de os ouvir obrigava-os a beber um litro de água, e depois é que queria saber porque é que o praça os trouxera.&lt;br /&gt;De três a quatro anos vinha a Chão das Urzes, á Festa, mostrar o novo “todo o terreno “ que havia comprado e era a sua conversa na taberna do Chico Gordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher e o filho acompanhava-o mas nunca ficavam a dormir a seguir á procissão lá voltavam para a terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOÃO D´ARAGÃO Y SOUSA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João d’Aragão Sousa, vivia na casa que fora dos avós maternos, era a melhor casa com&lt;br /&gt;grandes ombreiras de granito na rua principal da Portada, destacava-se das outras, já que os dois grandes portões que a ladeavam deixavam aperceber o jardim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a rua principal já que as outras eram acessos a ela, e por ela passavam os carros que chegavam trazendo os bens essenciais para a pequena mercearia e taberna do Zé Valente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A taberna era o ponto de reunião à tarde de todos os homens, com a excepção do Simão que mal voltava das terras ia estar com o patrão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poucos habitantes da terra trabalhavam para o Sousa que tinha como feitor e seu homem de confiança o Simão, abrutalhado era o informador de tudo o que acontecia e tinha todos na mão, mal com o Simão era o mesmo de não ter trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tarde já quando a conversa morria entre o patrão e o feitor, uma igual ás outras á volta de um jarro de vinho, na sala a seguir á cozinha, João Aragão de repente como que se acordasse falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive a reparar na Joana, está uma rapariga, ela podia vir cá para casa ajudar a Matilde mais dois braços não são demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simão, olhou pasmado a beata não lhe caiu porque ficara colada ao lábio, a sua Joana tinha pensado outro destino para ela, mas o patrão mandava que fazer, a sua coragem era só com os trabalhadores com o patrão, era sempre sim, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou a casa a mulher lá refilou mas que fazer era o destino dos mais pobres, e a Joana dai a dias lá se mudou para a casa grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recordações que a Blisanda contou…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VERÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias corriam, o António Manuel, crescera, já andava na escola, era o orgulho do professor, era inteligente e aplicado, o Picanço trabalhava cada vez mais para acudir ás necessidades da família, e á noite nem o cansaço do dia o fazia dormir, e á ideia vinha-lhe as conversas com o Tiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a solução para a vida na aldeia, se os trabalhadores se unissem, se o Estado desse aos trabalhadores os baldios, não lhe chamavam o Chão do Povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os baldios até eram boas terras desde que fossem trabalhados, assim seria de todos para todos e os filhos teriam melhor vida.&lt;br /&gt;Um dia, falou dos seus sonhos ao Serafim, ele tinha trabalhado na cidade, na construção civil, viviam num contentor sem condições ele e os colegas e disso um dia falara ao patrão, que o pusera na rua como resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Serafim achou boa a ideia e com outros trabalhadores decidiram que fosse o Picanço que fosse falar com o Regedor sobre a hipótese da posse dos baldios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Regedor não disse nem sim nem não e no sábado seguinte um Guarda bateu á porta do Picanço e levou-o para a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Blisanda a todos perguntou o que havia acontecido ao marido e foi o irmão o Luís que lhe disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O teu marido andava com ideias e por isso foi dentro para aprender!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia noticias, e Blisanda desdobrava-se em trabalhos para dar de comer ao filho e que nada faltasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do marido não havia noticias, só uma vez e dessa já pensava anos mais tarde que fora um sonho, tinha sido na festa da aldeia, ia na procissão levando uma vela para que o Santo a ajudasse na vida, quando atrás dela como num sussurro ouvira, o teu marido está vivo numa cadeia junto ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se voltou para saber da informação não viu ninguém só as velhas que acompanhavam a procissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, foi nessa festa que as Meninas vieram á aldeia e venderam a casa.&lt;br /&gt;O professor era o grande auxilio dando os livros ao António Manuel e quando ele fez a quarta classe falou com outro professor que acreditava nas mesmas coisas que o Picanço, foi estudar com uma bolsa que lhe cobriam as despesas, e a Blisanda ficou só na aldeia, já que de o marido nunca mais soubera, uma vez ouviu dizer que o marido fugira e depois de que morrera&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Um dia, já era outro Regedor, Blisanda soube que o marido, morrera na prisão e a razão foi dada pelo Regedor, para aprender de querer mudar a vida da aldeia e não querer dizer quem lhe havia metido aquelas ideias na cabeça e a sua teimosia fora a razão da sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recordações em conversas à lareira…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BLISANDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe melhorara e Blisanda, voltou para a cidade, a casa das Meninas era a sua casa, ali crescera e se fizera mulher, as Meninas continuavam com os seus chás ás quintas – feiras, recebendo aquelas senhoras empoadas, não casavam e raramente saiam com á excepção de aos domingos descerem a rua com a Blisanda atrás até á Igreja para assistirem á missa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa manhã já o dia vinha alto, bateram á porta, ela andava pela cozinha quando a menina a chamou – está aqui o teu pai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai vinha vestido de preto e depois de breves palavras foi direito ao assunto que o levara à cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho buscar a Blisanda, ela tem de tomar conta lá da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se despedira das Meninas e voltara à aldeia, como um dia saíra sem reclamar, sem se preocuparem com os seus sentimentos ou a sua opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aldeia quase passava ao largo da sua vida, metida em casa, fazia a comida e toda a lide para o pai e irmãos e ainda da vaca e do porco únicas riquezas da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi um dia nas suas lides que conheceu o Picanço, e ainda hoje não sabia porque casara com ele, se por gostar ou para se libertar daquela casa e do mau feitio do pai que depois da morte da mãe mais bebia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Picanço, era trabalhador e era diferente dos outros rapazes da aldeia, sabia ler e tinha conversas diferentes, não era atiradiço, e o seu olhar de menino assustado, tinha-os aproximado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dizia que ela haveria de ser a sua mulher, a mãe dos seus filhos, ela ria, ainda a procissão vai no adro dizia fugindo o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai naquele dia voltara e como já se tornara hábito um copito a mais, mais azedo ficava e foi aí que se decidiu. a aceitar a proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai não achou bem, quem é que lhe tratava da casa, mas por fim disse – estás uma mulher, e saiu sem mais palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PICANÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trezentos e vinte um despira a farda e voltara a ser o Picanço, voltava agora para a aldeia, olhando a paisagem parecia que muitos anos haviam passado desde que partira, vinha outro e ele sentia que já não era o mesmo, a disciplina a que fora forçado no quartel, as livros que lera graças ao Tiago, que o obrigara a ler e depois dizer o que pensava tinha-lhe dado outra visão do mundo.&lt;br /&gt;Tinha sido o Tiago que lhe ensinara a ler pois o que havia aprendido na escola esquecera, mas muito mais as longas conversas sobre o campo e das injustiças, uns trabalham e outros é que gozam a vida.&lt;br /&gt;Quanto ganhava um trabalhador no campo, como é que se podia viver com os restos que os senhores da terra davam aos que trabalhavam no que era deles, mas que tinham recebido por herança e não por trabalho, e ainda por cima servem-se das nossas mulheres.&lt;br /&gt;Voltara e entrara no jogo da aldeia não porque assim quisesse mas para o sobreviver, pensou dar o salto para outras terras ou para a França, como o Tiago fizera, mas foi adiando e foi quando encontrou a Blisanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube desde o primeiro dia que ela não sentia o mesmo que ele, mas ele amou-a, aqueles olhos claros, muito acinzentados, aquele ar de pássaro caído do ninho, despertou nele um sentimento de protegê-la de ficar ao seu lado, aquele sentimento para com os outros que lhe falara o Tiago ou talvez o que noutros livros chamava-se amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tarde cruzaram-se e ele meteu conversa, e assim quando á tarde regressava de ordenhar as cabras, depois de um dia nos campos do Sousa, discretamente ia passando junto à casa da Blisanda e conversando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou-lhe das ideias do Tiago, da sua solidão dos seus sonhos, acompanhando-a à fonte para levar água para casa, as suas mãos tocavam-se e um dia os seus lábios se uniram num curto mas sentido beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses depois, sem muitas palavras ou gestos uniram as suas vidas, com a bênção das Meninas que foram as madrinhas e dos patrões, que autorizaram que continuasse a viver na pequena casa da fazenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma pequena casa, com um quarto grande que servira para os ceifeiros que vinham doutras terras todos os anos à procura de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe bem lhe recomendara, tem os olhos bem abertos, quando lhe juntara alguma roupa para ir para a casa do Patrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos primeiros tudo fora bem o Patrão quase a ignorava, a sua vida decorria na cozinha e engomar a roupa e trocando com a Belmira a cozinheira o servir à mesa.&lt;br /&gt;Por vezes o Patrão chamava-a e perguntava-lhe pelos pais pelo trabalho conversas simples depois de jantar enquanto ia metendo lenha na lareira da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana tornara-se numa jovem de peitos rijos e de aspecto agradável, já que era elegante sem ser magra e com uns lábios sedentos de beijos e de olhos negros como azeitonas maduras e uma manhã acordou nos braços do seu patrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já havia passado as ceifas e o pai estava a apresentar as contas ao patrão, este sugeriu-lhe que era bom que a Joana fosse tratar uns assuntos com ele à cidade, o pai ficou feliz da confiança depositada, e na semana seguinte partiram os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltaram trouxeram uma menina que fazia lembrar a expressão do Simão com os olhos do João D´Aragão Sousa que tinha o nome de Raquel.&lt;br /&gt;A Raquel era o encanto agora da casa e crescia e a Joana levava a casa dos pais, e a mãe encantada aninhava-a nos braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OUTONO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O António Manuel já era homem, quando na festa da aldeia veio ver a mãe por mais tempo.&lt;br /&gt;Havia terminado o curso de direito, queria ser advogado para defender homens como o pai, e foi na festa que encontrou a Raquel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrava-se dela quando os dois tinham andado na Escola, ela tinha ido para um Colégio interno ele por outros lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora os dois haviam terminado os cursos na Faculdade, e reiniciaram ou iniciaram uma conversa já que em pequenos não se davam, ela para todos os efeitos era filha do irmão do patrão do pai.&lt;br /&gt;Ficaram de se encontrar na cidade, e assim nasceu uma amizade, que foi crescendo e as raízes da aldeia ajudaram para que outro sentimento nascesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana, após a morte de João D´Aragão Barros ficara com a casa grande e dela geria os terrenos que herdara, o testamento dera-lhe um terço das terras, o restante fora para as sobrinhas, as Meninas, que se apressaram fazer o testamento que por sua morte fosse tudo para o Seminário Maior.&lt;br /&gt;As Meninas ainda vieram à procura de uns terrenos no Chão das Urzes, que pensavam que o pai não vendera, mas que com a fortuna dos sogros também tinham desaparecido, a politica, e a sua dedicação à Republica, tudo lhe levara e até os seus sonhos de um país&lt;br /&gt;melhor, já que quando em Dezembro de 1925, Teixeira Gomes renunciou o mandato de Presidente da Republica ele sentiu nesse dia que o espírito republicano que tentara vingar no seu país extinguir-se-ia em breve&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, foi a esse tempo que.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blisanda e Joana poucas vezes viam os filhos, mas naquela manhã de Janeiro, os dois passaram pela Portadas a caminho de Chão das Urzes para participarem no funeral do velho professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana estranhou de virem juntos mas aprendera a não fazer perguntas e foi no ano seguinte que a Raquel e o António Manuel uniram as suas vidas e ela começou a dar-se com a Blisanda. e a encontrarem-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no ano que a Blisanda teve noticias do Zé Gervásio, que fora viver junto ao mar e que dele o jornal falava pela publicação de um livro de versos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi noutras festas de S. João que eles voltaram à aldeia acompanhados de dois bebés lindos, os seus gémeos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PROFESSOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magro, sempre muito direito com uma barba rala a emoldurava o rosto, viera logo que terminara o curso para a aldeia, e nela foi ficando até á reforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pertencia á aldeia mas não se envolvia na vida dela, os mais velhos lembravam-se da mulher, a Dona Doroteia, morrera ao ter o bebé que morrera com ela, toda a gente soube a razão fora por culpa do médico, que como era hábito nunca chegava a horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca ninguém lhe conheceu outra mulher, sempre acompanhado de livros, era escola casa, casa escola aonde almoçava umas sopas e mais qualquer coisa que a continua lhe fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diziam á boca fechada que ele era contra o governo, e bem tentava saber o Luís, querendo saber o que ele lia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorrindo escusava sempre qualquer conversa, que não fosse da escola, e só pela Páscoa tinha visitas, o doutor Silva vinha sempre passar a Semana Santa á aldeia na casa do professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era nessa altura que os viam fazer longos passeios pelos campos, e embora a Igreja estivesse aberta nessa altura todos os dias, ninguém se lembrava de os ver entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOUTOR SILVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doutor Silva, nascera na cidade, já que os pais pouco tempo depois de casarem rumaram para a cidade deixando a Portada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padrinho de casamento, João Aragão Barros, conseguira a colocação do pai na empresa que explorava os Transportes Urbanos e ainda o lugar de porteira para a mãe assim garantindo casa e trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco João Silva, nasceu assim já com os pais com outra visão do mundo, e na altura própria com alguns sacrifícios foi para o Liceu Nacional, e depois para a Faculdade, onde tirou o curso de histórico – filosófico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Universidade envolveu – se nas lutas da Associação de Estudantes e foi ali que conheceu o José , que mais iria reencontrar como professor em Chão das Urzes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Professor deixara a Universidade e após uma travessia no deserto da vida, ingressara no Magistério Primário, onde se formara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse tempo ficara uma amizade que os anos não deixaram morrer e quando voltou á Portada ao funeral do avô, foi o início de todas as férias da Páscoa, e de ele começara a vir para a casa do professor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal os dois acreditavam que era nos jovens e se eles fossem bem orientados poderiam haver um país melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, naqueles dias longe do barulho da cidade iam alicerçando sonhos de novos horizontes num país que era bem diferente da sua mocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                             Suo tempore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Associação de Estudantes, Francisco João quis mudar mentalidades e dar uma acção activa á Associação de Letras e nas reuniões inter-associações (RIA), colaborando nos bastidores com os alunos, e quando das manifestações mostrou-se mais preocupado com a produção intelectual do que acção de massas e como resultado foi levado á Policia Politica, e após dolorosos interrogatórios, para que dissesse o que não era, e o partido politico que lhe tinha metido aquelas ideias, passou dezoito meses na cadeia, onde conheceu o Picanço e com ele conheceu mais outra realidade e outros valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saído da prisão já não teve lugar na Faculdade, e tal como o seu amigo José a sua vida decorreu formando jovens num colégio particular, cujas aulas fugiam aos métodos tradicionais que o Estado através dos seus ministros impunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RAQUEL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Raquel teve uma infância feliz, no conceito de uma criança que vive nas aldeias, chamava de padrinho ao João Aragão, embora toda a aldeia em voz baixa dissesse que ele era o pai, e só quando chegou á quarta classe é que soube que não tinha nome de pai no documento necessário para ir para o Colégio interno, e foi então que o padrinho lhe dera o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vinha de férias era o encanto do João Aragão ouvir a Raquel contar histórias e vê-la crescer e sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o colégio interno e as férias na aldeia foi crescendo e entrou na Universidade, para concretizar o seu sonho de menina ser veterinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gosto pelos animais certamente herdara do seu avô materno o Jaime João, o homem que sabia todas as mesinhas para o gado e era sempre o que resolvia o caso bicudo quando o vitelo ou a cabra ou ovelha não queria nascer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a única mulher da sua turma, na Escola Veterinária e desde logo meteu-se na vida associativa em defesa de uma igualdade de oportunidades, ela o havia tido pelo sacrifício de sua mãe, que tudo suportara para que ela tivesse outra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suo tempore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O António Manuel, desde que o pai deixara de voltar para casa, a mãe só muitos anos depois lhe contara que o pai fora preso, pensava que andaria a trabalhar por outros campos, o professor era o seu companheiro, o seu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois conheceu o doutor Silva a quem o professor o recomendara, que estava sempre presente no colégio e a tempo certo pagava o pequeno quarto da pensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia perguntou-lhe se era amigo também do pai, já que ele lhe dizia, tu és filho de um grande homem, ele sorriu respondendo, um dia saberás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi com a amizade daqueles homens e a força da mãe, que entrou para a Universidade, e tal como a Raquel agora tinha acabado o curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, foi nesse dia de alegria e vitória que o doutor Silva lhe contou porque tanto admirava o seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma pena a sua morte, devo-lhe muito numa fase da minha vida, e parou por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o professor, já o doutor Silva havia morrido é que soube que o doutor partilhara a cela com o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARIA ANTONIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Maria Antónia, foi a filha mais nova do Barrancos, os pais quiseram que ela aprendesse a ler, e assim que fez sete anos foi para a Escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito magra de olhos de um verde acinzentado era o encanto da professora a D.Pilar, que acabada a quarta classe, a incentivou a estudar e de pois do liceu tirou o curso de auxiliar de enfermeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim depois do estágio, conseguiu colocação num Hospital da capital e foi ali que conheceu o doutor Fabiano, que ali exercia clínica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo ainda vinha à aldeia ver os pais, depois começou a rarear e depois de casar com o doutor, então ninguém se lembrava de a ver em Chão das Urzes&lt;br /&gt;.Bem se lamentava a Bia Anica de não ter notícias da filha, e o Barrancos quando na festa alguém perguntava pela Maria Antónia, respondia com ar triste:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, aquilo do Hospital é uma vida muito ocupada, não tem tempo para nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Blisanda embora fosse cunhada é que sabia da sua vida, como ela detestava a aldeia e todo o tempo que tinha era para acompanhar o marido a todos os Congressos e na sua vida social, já que era disso que dava noticias, nunca perguntando á Blisanda pelos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi a Blisanda que um dia em conversa disse ao Barrancos que era avô de uma menina, e era por ela que os pais iam sabendo da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Maria, do Zé da Avó, como era conhecida na aldeia, há muito se esquecera que fora registada como Maria da Anunciação, tinha sido a segunda filha e, muito nova a mulher da casa, já que os pais bem cedo partiam para os trabalhos nos campos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha ido á escola, mas sabia de todas as lides de casa e dos campos e até armar as redes na ribeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se fez mulher, começou a ir aos bailes no “ Casarão”, que era um antigo armazém de lavoura que o senhor Aquilino colocava à disposição dos jovens pelas Festas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num desses bailes que começou a conversar com o Joaquim, e pelo Natal começaram a namorar e pouco tempo depois casaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Joaquim era o empregado para todos os serviços do senhor Aquilino, desde buscar agua à fonte, cuidar do gado e fazer a venda e a entrega dos cereais e sementes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados uns tempos o Joaquim falou à Maria da possibilidade de ir até á Alemanha já que um seu primo viera de férias e falara-lhe em bons empregos, assim que a Maria concordou e lá partiu ele, mas assim que chegou apanhou uma doença de tal maneira que a Maria teve de pedir dinheiro emprestado para ele regressar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, a Maria ainda o dia vinha longe lá ia trabalhar para no fim do mês ir pagar os fiados à loja do senhor Manuel já que os campos não davam e as cervejas do seu Joaquim e era lá que muitas vezes abria a sua alma. – Aquele homem não quer fazer mesmo nada, nem um filho soube fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim a Maria desdobrava-se para ser o sustento da casa, desde trabalhar nos campos a lavar e tratar da casa do senhor Aquilino, já que mulher vivia sentada na cadeira ouvindo rádio e a querer saber de novidades da terra, e o marido lá se ia orientando como podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor Aquilino, como a Maria recordava mais tarde fora sempre muito bom para ela que até lhe haviam dado a casa onde viviam e um pequeno terreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, foi esta tia que o filho do Manuel conheceu muitos anos mais tarde e de quem o pai nunca lhe falara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOSÉ NUNO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O José Nuno era o filho único do Manuel mal começou a falar a troca de letras nas suas primeiras palavras e o atabalhoado da linguagem não conseguindo dizer o “G”aliado a um desajeitado andar, não era a companhia desejada para o pai e era só uma canseira para a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avó é que não tinha o sentimento de castigo dos deuses a sua existência e o levava até a casa das amigas um pouco às escondidas do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na escola embora com o apoio da avó aprendeu a ler e até passou com distinção o exame da quarta classe, e foi então que a avó morreu e ele sentiu-se perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de muitas conversas os pais lá se decidiram que fosse estudar no colégio da vila, e foi nessa data que o Manuel pensou abrir um pequeno estabelecimento com uns trocados que recebera de herança do padrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, foi trabalhando nesse pequeno estabelecimento que o José Nuno fez o curso dos liceus, e acabado o pai trespassou-o e ele foi procurar vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa altura que uma empresa ganhou o concurso de uma grande obra na vila e ele conseguiu um lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia iniciava ás oito, uma hora para almoço e a tarde enquanto houvesse cimento nas betoneiras não havia ordem de sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um período de vida em que conheceu pessoas muito diferentes daqueles que conviviam com os pais, logo o seu companheiro no escritório improvisado da obra, o José Silva, era baixote de tronco largo, afirmava que tinha tido uma visão e por isso se convertera ao catolicismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade ou não o José Nuno nunca o questionara a verdade é que havia sido admitido por intermédio do Bispo ao Engenheiro responsável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua história antes da sua conversão, fora activista numa força politica que acreditava que só pela violência poderia haver uma nova politica do governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, uma tarde já ao anoitecer fora enterrar duas bombas no recreio da Escola Primária, mas por seu azar a continua da escola tinha voltado à Escola e ao sair viu-o a fazer covas e informou a Guarda, como resultado foi preso no dia seguinte e depois de um julgamento rápido foi enviado para o Tarrafal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse período não se lamentava mas até se gloriava das artimanhas que tinha lá feito, e foi com ele que descobriu um outro lado da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse tempo que se envolveu em projectos de teatro e cinema, e lia, lia, e voltava a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leu romances, ensaios, peças de teatro, poesia, leu Max,Dostoievsky, Tolstoi, Brecht, Lorca, Sartre e Camus e até vidas de santos e estadistas à procura de respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a obra terminou e ele partiu para a cidade, participou em longas tertúlias, conheceu pessoas e outros escritores que tinham outros ideais e falavam de uma sociedade mais justa e onde as pessoas fossem aceites como elas pensavam e que pudessem expressar as suas ideias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia de um amigo ouviu a frase dita por uma líder espanhola Dolores Ibarruni «Mais vale morrer de pé de que viver de joelhos» tomou-a como lema acreditando que cada um era como era não dependendo do que os outros quisessem que ele fosse, e mais tarde alterou-o ao pensamento de António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, «de pé diante dos homens, de joelhos  perante de Deus»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resultado, poucos amigos teve, e mais dificuldades de se afirmar nos empregos, onde o bajular e o falso elogio era apanágio dos que singravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrou uma jovem que acreditava nos mesmos valores, casou, teve filhos e voltou a partir, esteve noutro continente e talvez como resultado de ideias que defendera um dia ao se concretizarem teve como fruto ter de regressar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reencontrou os pais e tentou os compreender e ser aceite como ele era, e o pai continuou a dizer-lhe que era necessário que ele visse a realidade do mundo. Vê o teu primo e o filho, chegas a velho e a não tens nada teu, e em todas as conversas terminava continuando a alimentar o sonho de um dia voltar à sua aldeia, gente boa afirmava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo correu, os pais morreram, e um dia ele já com cabelos brancos deixou tudo, e foi à procura da terra de que seu pai tanto falara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou com um sonho a de concretizar o desejo de regresso do pai e a ver se ele próprio se encontrava, mas afinal a terra era como qualquer outra com gente vulgar e mais uma vez o José Nuno não encontrou uma resposta à sua inquietação de ser aceite, perdeu-se nela como se uma maldição lhe tivesse sido dada por não ser o filho que o pai sonhara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INVERNO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Blisanda hà muito deixara a velha casa, o filho comprara-lhe uma casa com mais comodidade, agora sentada à frente da lareira recordava, o seu tempo na casa das Meninas, que haviam ficado solteiras e sempre à volta da Igreja, o seu amor com o Picanço, fora amor sim, embora tivesse pensado que era só para fugir do dia a dia da casa do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Picanço era um homem diferente, não era nada como os outros nem como os seus irmãos, que olhando só para si mesmo iam vivendo. O seu único problema é que tivera um sonho querer mudar não só a sua vida mas também para os outros e isso foi incómodo para a gente vulgar da aldeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Luís numa tarde depois de bem bebido tinha-lhe contado o verdadeiro final do seu amor, ele sabia desde há muitos anos, pois era os olhos e os ouvidos da policia politica na aldeia, morrera sim, porque a policia deixara-o fugir sem documentos e seguira-o e matara-o numa rua da cidade, e fora enterrar sem nome nem amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sacrifício das mulheres que afinal tinham dado frutos lindos como a Raquel, homens como o professor que soube ver no António Manuel um homem, que era tão parecido com o pai mas que agora vivia num mundo diferente. E , agora olhando para a pequena mesa repleta de fotografias, o filho e a Raquel estavam ali presentes e noutra dois meninos que o seu Picanço certamente gostaria de ter conhecido e que já andavam na Universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantas coisas haviam acontecido e que o seu marido não assistira, e os dias iam passando e nas suas recordações os amigos vinham visita-la nos sonhos O filho e a família tinham-lhe telefonado, pois todos eles mais os amigos estariam no fim-de-semana para festejar o seu centenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas pessoas tinham passado na sua vida que estavam sempre presentes, as meninas, a D. Mercedes, o homem bondoso que fora o doutor António, o professor, quanto lhe fora prestável, o doutor Silva e tantas pessoas até aqueles que nunca compreenderam o seu Picanço, tinham feito parte da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nas suas recordações falando consigo mesmo, o seu coração dizia-lhe vivera, trabalhara muito amara um bom homem e nas lutas que tivera sem saber fora feliz, e agora quando a força das pernas lhe ia faltando, viveria porque para viver é preciso amar e Deus lhe dera aquele filho com o nome do seu amor e cumprira-se a promessa do Barrancos ao seu amor na aldeia tinha havido um malmequer azul, o seu Picanço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÓSFACIO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, foram as histórias destas vidas que a tia Blisanda contou ao filho do Manuel, que também trazia uma história para contar, quando já de cabelos brancos veio para a aldeia procurando descobrir a razão porque o pai fora assim e, conhecer a verdade daquela terra, que tanto ouvira falar e que sempre esteve presente nas conversas do pai e foi quando conheceu uma tia que nunca o pai lhe falara e que nunca tinha saído da aldeia, e que tinha mais família que também tinham histórias para contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Lino, ideia 1999/2000, revista em 2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-2713476717818410886?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/2713476717818410886/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=2713476717818410886' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/2713476717818410886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/2713476717818410886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/12/gostas-de-malmequeres-azuis.html' title='Gostas de Malmequeres Azuis?'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-2271761122332584706</id><published>2008-06-24T08:03:00.000-07:00</published><updated>2008-06-24T08:07:59.108-07:00</updated><title type='text'>Divagando à volta de um poema de José Jorge Letria</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Neste final de Primavera, lembro-me dos versos de um poema de José Jorge Letria.&lt;br /&gt;E porquê? A razão é simples, estamos novamente num final de Primavera, e a Miriam, o Gabriel, a Lídia e o Bernardo vão começar uma nova vida. E o poema inicia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aos filhos, já disse que podem partir / Nada será como dantes…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi também num final de Primavera que partimos para Africa, para a cidade de Cabinda, aonde recomeçamos a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram sempre em finais de Primavera, no final de anos lectivos, que os filhos decidiram partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi num final de Primavera que começamos a pensar mudar de terra, depois de o meu pai ter morrido ansiando voltar à sua terra de origem, o que não realizou por impossibilidades várias, e, fomos nós que seguimos o seu desejo que passou a ser nosso tempo depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vão eles filhos e netos partir, e, é no fim da Primavera. O poema continua…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o choro/ nem o riso, nem a quietude do sono./ Levaram os frutos e a roupa das camas /os gatos e alguns livros. É o ponto de partida / O que resta de um homem /quando já não tem com quem falar? / Cada brinquedo deixado para trás / tem gravado o júbilo de um tempo/ que nem a memória ousa refazer/ Tudo tem um momento certo/ para ser feito ou ficar para sempre adiado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, faço agora a mesma pergunta que dá nome ao poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A QUEM CONTAREI O QUE ESQUECI?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Lino 16 Junho 2008  &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-2271761122332584706?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/2271761122332584706/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=2271761122332584706' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/2271761122332584706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/2271761122332584706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/06/divagando-volta-de-um-poema-de-jos.html' title='Divagando à volta de um poema de José Jorge Letria'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-2073737384468713197</id><published>2008-06-05T13:53:00.000-07:00</published><updated>2008-06-05T14:09:08.378-07:00</updated><title type='text'>Uma Semana em Diário</title><content type='html'>&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUk9F1B1I/AAAAAAAAAAs/4wyZse9MFSU/s1600-h/IM003556.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208505962905012050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 192px; CURSOR: hand; HEIGHT: 151px" height="151" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUk9F1B1I/AAAAAAAAAAs/4wyZse9MFSU/s200/IM003556.JPG" width="174" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha um sonho que o nosso filho concretizou, fomos aos Açores. E, quando se fala dos Açores, fala-se da Ilha Terceira, do Aeroporto das Lajes, das Festas em Honra ao Divino Espírito e dos Touros, tudo isto associado à gastronomia e aos lacticínios.&lt;br /&gt;Como de aeroportos basta-me, o diz que disse do nosso ministro que até tem o meu apelido, festas não são o meu forte e como em gastronomia sou de parcos alimentos, quando o nosso filho perguntou qual a ilha, respondemos o Faial.&lt;br /&gt;A ilha do Faial trazia-me à memória o Canal que a separa ou liga à Ilha do Pico, a cidade da Horta a vila da Madalena, trazia à minha cabeça um livro “O mau tempo no Canal” do nosso saudoso Vitorino Nemésio, e foi o que aconteceu.&lt;br /&gt;19 de Maio 2008 – Aeroporto de Lisboa, as formalidades da praxe, uma pequena demora com a mala de mão comprada numa loja de um chinês em Nisa, e, entrada no TAP 1845, Lisboa / Horta.&lt;br /&gt;O avião ia completo, e quando aterrou na cidade da Horta isto é na freguesia de Castelo Branco, simples coincidência, procuramos um táxi. A praça estava ocupada com uma ambulância do INEM, bombeiros e polícia. Um passageiro tinha-se sentido mal e era necessário ser levado para o Hospital.&lt;br /&gt;Quando chegou à nossa vez, entramos no táxi, o motorista de nome Silva (nome pouco comum) que nos informou que tinha estado há quinze dias no Continente, em Portalegre, outra simples coincidência, que tinha gostado, - é uma cidade calminha como a nossa e come-se bem, informou, e, quando lhe demos a morada da Residencial, nome que tínhamos visto na Internet, estranhou adiantando timidamente que normalmente não levava turistas para lá que tudo estava muito velho.&lt;br /&gt;Deixou-nos à porta e arrancou, a Nair entrou procurando a recepção, deparando desde logo uma íngreme escada e onde deveria se encontrar o recepcionista era um espaço engaiolado de velhas madeiras. Assim saímos sorrateiramente, e fomos procurar uma outra, que tinha ficado no ouvido durante o trajecto aeroporto / cidade, a Residencial S. Francisco, tendo deixado a Nair e a bagagem dei corda aos sapatos procurando a dita Residencial, que felizmente tinha um quarto vago, e, regressei para voltar com mulher e malas. O quarto é outra história para a Nair contar!!! Coincidências, ou destino!!!&lt;br /&gt;Estávamos na ilha do Faial, a ilha do Doutor Manuel de. Arriaga, o primeiro Presidente da Republica, de Portugal, na cidade onde ele nasceu&lt;br /&gt;Fomos dar uma volta pela cidade, queríamos comprar uma garrafa de água, não sabíamos dois pormenores importantes, primeiro o Comércio fecha ás 18 horas, segundo a maior parte tinha fechado mais cedo por o inicio de Festas que culminarão no mês de Junho e que se estendem por todas as Ilhas. &lt;a href="http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUlNF1B3I/AAAAAAAAAA8/XSQzVlGO0jg/s1600-h/IM003602.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208505967199979378" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUlNF1B3I/AAAAAAAAAA8/XSQzVlGO0jg/s200/IM003602.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, mercearias ou mini - mercados nada estava aberto, contudo indicaram-nos o “Modelo” passe a publicidade, mas na zona em que não nos encontrávamos, não era a do “Modelo” e na Farmácia Lecoq informaram-nos que era melhor comprar na mercearia, já que o preço de uma garrafa no café, era o preço de um garrafão nesses estabelecimentos.&lt;br /&gt;Mas a necessidade de comprar água era naquele momento e decidimo-nos ir ao café&lt;br /&gt;Voltando à cidade, lembrei-me à primeira impressão de um Algarve antes do” boom “do turismo, estabelecimentos muito antigos contrastante com alguma modernidade nos de vestuário, e da própria farmácia, mas vendo a cidade com a sua Marina, a sua marginal que é ex-libris da Horta, fez-nos esquecer as pequenas contrariedades da chegada,&lt;br /&gt;Segundo nos informaram em movimento é a maior de Portugal e a quarta da Europa.&lt;br /&gt;A Marina está envolta em desenhos que os navegadores que passam por ela deixam e também as suas referências. Nasceu uma lenda que se o não fizeram não terão bonança quando zarparem para outros portos, verdade ou mentira, que mal há de cumprir o ritual.&lt;br /&gt;O Pico escondera-se num manto de neblina, o Infante D. Henrique, olhava de lado para o Canal, não sei porque o não viraram para o mar, jantamos e regressamos à Residencial, e ligamos para a família.&lt;br /&gt;Era chegado o primeiro dia nos Açores, começava a escrever-se em nossas vidas o preâmbulo de um novo ciclo da nossa vida, a sós.&lt;br /&gt;20 de Maio de 2008&lt;br /&gt;Saí sozinho para ver e sentir a cidade, e na verdade com um fim também, descobrir a localização da Igreja Baptista da Horta, salvo erro a primeira da denominação nos Açores, tinha uma base de procura, Av. Marginal 17, supostamente estava na Marginal, mas a placas toponímicas indicavam-me Av. 25 de Abril e Av. Diogo Teive, assim perguntei a uma senhora onde iniciava a Av. Marginal, ao que me informou: - é toda esta, os políticos é que lhe vão dando nomes.&lt;br /&gt;Ultrapassado o primeiro obstáculo procurar o número dezassete, a maioria das portas sem número de polícia, e mais ainda a seguir a um 10-A um dezassete, que não era a porta da Igreja, voltei a perguntar, o senhor muito simpático informou-me que não eram necessários já que toda a gente se conhecia.&lt;br /&gt;Apanhando a deixa perguntei-lhe onde era a Igreja, ao que ele me respondeu – Há uma Igreja protestante lá ao fundo, vê aquele prédio novo alto é depois!!!&lt;br /&gt;Voltei à Residencial, passei pela Papelaria “O Telégrapho” comprei a “TV7dias” que afinal era da outra semana, o que foi de logo constatado pela Nair, e lá voltamos à papelaria, que simpaticamente nos informaram que as revistas e jornais chegavam sujeitas às cargas dos aviões, o que influenciava o dia da chegada e o preço das mesmas e dos jornais, embora o Governo Regional comparticipasse. A conversa decorreu sem pressas, o tempo é para ser vivido, e a senhora perguntou-me se era do Corvo (sempre a minha voz), aproveitei para comprar um livro de Tomas Rosa “ Ilha Morena” e uma colectânea poética do padre José Machado Lourenço de três poetisas de Angra, noutra papelaria que entrei com esperança de encontrar um jornal desportivo.&lt;br /&gt;Fiquei com pena de ontem não ter ido ao lançamento do livro de Dias de Melo “ A montanha cobriu-se de negro” é um escritor do Pico que escreveu “Pedras Negras”, uma obra de referência da escrita açoriana.&lt;br /&gt;Fomos visitar a Biblioteca Municipal recém inaugurada no passado dia 25 de Abril.&lt;br /&gt;Como não podia deixar de ser tinha havido um acidente e tivemos de entrar pela porta do Auditório.&lt;br /&gt;A funcionária muito simpática disse-nos que não deixássemos de visitar o Pico, ilha onde nascera,&lt;br /&gt;Pico é a ilha mãe dos Açores já que do alto do pico que lhe dá o nome, o mais alto de Portugal consegue-se ver todas as ilhas.&lt;br /&gt;Mas voltando à Biblioteca, na sala de leitura encontrei uma entrevista no suplemento literário do DI do Dr. António Lopes, director do Museu Maçónico Português, que passou pela Terceira para apresentar o seu livro “ A maçonaria e os Açores (1792-1935)” que faz um historial como o pensamento de intelectuais açorianos foram o génese de grande parte do pensamento politico de Portugal. Açores que nos deu&lt;br /&gt;nomes como Antero do Quental, Manuel de Arriaga, Vitorino Nemésio, Luís da Silva Ribeiro ou Gervásio Lima, Florêncio Terra, que fundou o Grémio Literário Fayalense em 1874, entre outros ou no comércio como o fundador de “Os Grandes Armazéns Fayalenses” em 1856 que hoje é a Grande Loja de Macau!!!&lt;br /&gt;Outro livro que encontrei foi “ Os anais da Família Dubnay” família que está ligada à economia dos Açores, com a criação de uma Agencia de Navegação, e consulado, um dos seus elementos tem uma rua na cidade da Horta – Rua Cônsul Dubnay.&lt;br /&gt;Mas não vou falar da família, mas do avô de Charles William Dubnay, John Bass Dubnay, nascido em 1707 e foi Pastor da Igreja de Ashford e dele se encontra escrito no registo daquela Igreja em 5 de Junho de 1751: “ Fui demitido das minhas funções pastorais com a Igreja e Povo de Ashford por divergir da interpretação calvinista dos “cinco artigos de doutrina” que em minha ignorância subscrevi antes da minha ordenação, por estes erros solicito perdão a Deus Todo Poderoso”, mais tarde foi Pastor de uma Igreja Unionista de Oxford, Massachuetts.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refiro-me a este episódio, pelo conhecimento da Palavra de Deus, certamente entrou na ilha por intermédio de algum dos seus descendentes, um ponto para pesquisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos almoçar ao restaurante “Capitólio”, na entrada um quadro de ardósia dos que se usavam nas escolas, onde escrito a giz se lê : “ Comer em latim Cumedese que é tomar-os”, sentado aguardando o almoço um quadro de um farol envolto em espuma,&lt;br /&gt;Lembro-me de Pessoa e Alexandre O’neill. O mar no sentimento de dor e saudade em Pessoa e de esperança em O’neill – Há mar e mar há ir e voltar&lt;br /&gt;E, neste verbo voltar, o sentimento tão enraizado neste povo, o eterno retorno ás suas ilhas e ao seu sentimento religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUlNF1B2I/AAAAAAAAAA0/O_icrEUIuZQ/s1600-h/IM003586.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208505967199979362" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUlNF1B2I/AAAAAAAAAA0/O_icrEUIuZQ/s200/IM003586.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Depois do almoço (razão tinha o taxista ao dizer que em Portalegre come-se bem) fomos encontrar como havíamos combinado com o Pastor Rui Sabino, e lá voltou a saga dos números de policia, foi uma boa conversa que terminou com um sumo no café.&lt;br /&gt;Vagueamos pela cidade é uma cidade simpática, foi elevada a cidade em 1883 sendo grande interveniente o Duque d’Avila e Bolama a quem a cidade erigiu um bonito monumento em frente da Igreja Matriz&lt;br /&gt;21.05.2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia nasceu chuvoso, mas decidimos ir ao Pico, e não tivemos mau tempo no canal.&lt;br /&gt;O Pico está ligado à minha juventude em Vila Real de Santo António, quando a Fabrica Folque se instalou na ilha para comercializar o atum dos Açores criando a COFACO e o “ATUM BOM PETISCO” e a Companhia Insulana de Navegação hoje é a Transulana, salvo erro.Eu na Junta dos Portos fazia os despachos de carregamentos de sal a granel, sal das salinas de Castro Marim, que o meu pai e o Belo carregavam com os guindastes nos barcos dessa Companhia, entre eles o “Madalena”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Madalena, onde desembarcamos, entramos numa loja junto ao cais, e o proprietário que tinha vivido nos Estados Unidos, contou-nos da sua vivência e o encanto da Ilha.&lt;br /&gt;Na conversa abordou um tema importante, o negativo para a convivência a transmissão pelos canais internacionais da TV das telenovelas.&lt;br /&gt;As praças das intermináveis conversas dos portugueses, por força das mesmas, as pessoas começaram a ficar em casa, e as praças outrora o centro de recordações e novas amizades foram “tomadas” por uma juventude de droga e maus costumes que originou um sentimento de medo entre os resistentes que acabaram de as abandonar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando à vila da Madalena, com os seus ilhéus, é pequena e simpática, alugamos um carro fomos dar uma volta pela Ilha, visitamos o “Cachorro” as vinhas e fomos a S. Roque onde visitamos o Museu da Industria da Baleia e uma exposição “Rostos nas Festas do Espírito Santo”&lt;br /&gt;O porto é o terminal de carga e descarga, lá estava mais uma porta contentores a atracar no terminal, onde em S. Roque no Café Bar Refugio, foi iniciado um projecto “ Café com tertúlia”, o que não consegui concretizar em Amieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos os moinhos e os vinhedos na Criação Grande onde se produz o “VERDALHO” vinho que era servido à mesa dos Czars na Rússia.&lt;br /&gt;Voltamos à Madalena, passamos para apanhar o barco pela Rua Carlos Dubnay , aqui aportuguesaram o nome tirando-lhe o titulo.&lt;br /&gt;No mesmo barco em que tínhamos vindo regressamos, muita gente que vive no Pico trabalha na cidade da Horta e vice - versa.&lt;br /&gt;Há noite fomos ao Culto na Igreja Baptista, um grupo simpático com muitos brasileiros que ficaram após a reconstrução da ilha aquando o sismo de 89.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 de Maio de 2008&lt;br /&gt;O dia hoje também nasceu cinzento, embora bastante quente, é feriado celebra-se no calendário católico “Corpo de Deus” e como tal tudo fechado.&lt;br /&gt;Ficamos na esplanada da Marina olhando o eterno vai e vem de barcos a chegarem e a zarparem e a vinda aos serviços de limpeza de roupa dos navegadores, peles curtidas pelos mares e por muitos sóis numa Babel de línguas.&lt;br /&gt;Entre o olhar, o ler, a conversa em que havia um facto de nos encontrarmos sós sem ninguém para compartilhar a experiência, e a Nair lembrava os passeios feitos em companhia da filha genro e netos o que seria muito ou quase impossível agora voltar a realizar pelo contexto em que vivemos.&lt;br /&gt;Sabendo que tudo estava fechado e na esperança de encontrarmos um café ou um snack fomos procurar.&lt;br /&gt;Deus é misericordioso, e eu reconheci um casal que estava na Residencial e que andava na mesma causa – onde comer,&lt;br /&gt;Meti conversa e almoçamos juntos numa pequena esplanada, eles moram na Graciosa e vieram ao Faial comemorar os quarenta anos de casamento, tem quatro filhos casados mas para ninguém ficar zangado resolveram sem dizer nada fazerem a sua festa.&lt;br /&gt;Faço a referência ao cuidado de Deus, pois tendo-se lamentado de não ter com quem conversar, a Nair falou muito e comeu pouco, por outro lado o marido abriu o coração das suas mágoas, enquanto eu e a sua esposa abanávamos a cabeça intercalado com um sim e não.&lt;br /&gt;Depois do almoço e regressados à Residencial sai sozinho até à parte mais alta da cidade, deslumbrante paisagem, de regresso fui visitar a Igreja Matriz, que pela sua riqueza de altares e a sacristia vale a pena visitar. Um bom grupo de senhoras preparava a saída da procissão horas mais tarde fazendo um tapete de flores desde a saída entrando pela rua Ernesto Rebelo.&lt;br /&gt;Nunca tinha visto fazer tapetes em flores, além da paciência é necessário ter arte.&lt;br /&gt;Voltei à Residencial para buscar a Nair para partilhar o trabalho, e, na rua reparei uma placa da casa onde viveu José Pereira da Silva – o Padre Ouvidor.&lt;br /&gt;Na rua que mencionei encontra-se a Segurança Social, num prédio nada condizente com o resto do edificado e o edifício sede da Associação Amor à Pátria que foi a primeira Loja Maçónica do Faial, hoje uma Sociedade Educativa, tem ainda hoje no pátio do primeiro lance de escadas o símbolo da Loja com a palavra “Servir”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei à Marginal, passei pelo Peter é obrigatório. O Peter é um bar com um museu com peças feitas em osso, e recordações de marinheiros.&lt;br /&gt;23 de Maio 2008&lt;br /&gt;Hoje há Sol, e o Pico mostra-se em toda a sua imponência. Decidimos alugar um táxi para dar uma volta à Ilha. Saímos em direcção à Conceição onde tem um miradouro.&lt;br /&gt;Passamos pelos Flamengos, o primeiro povoado iniciado no Faial pelos Belgas e Holandeses, pois os terrenos abrigados pelos ventos são bons terrenos para o gado leiteiro e cultura e onde as laranjas são mais doces( do frio das neves do Pico, informaram-me) Ainda existem dois Moinhos a funcionar graças ao Gabinete de Turismo, e existem grandes ventoinhas de energia aelótica.&lt;br /&gt;Como havia muito sol via-se bem S. Jorge e se não houvesse neblina a Graciosa, visitamos a Caldeira dos Capelinhos, que desde o sismo de 89 abriu uma fenda e ficou vazia. Existem ainda milhafres e muitas espécies de arvores e plantas, a árvore predominante são os Criptomerus ( Cedro japonês) de grande porte e Hortênsias, uma nota existem pinheiros, mas a maior mancha de pinheiros é no Pico.&lt;br /&gt;As hortênsias fazem a divisão dos terrenos em grande parte da Ilha, que se cobrindo das flores azuis dão o nome à Ilha – “Ilha Azul”&lt;br /&gt;Ainda resistem algumas denominadas “ casa da batata,” que guardavam as colheitas nos bons tempos que a Ilha era mais povoada e os campos cultivados. E fomos aos Capelinhos, uma paisagem surpreendente, e voltamos passando pela Ponta do Varadouro, Porto Feiteira e pela praia de areia branca, a única, enfim a Ilha é linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 de Maio 2008&lt;br /&gt;É sábado, o nosso coração está em Amieira, o Gabriel faz anos, o último aniversário em Portugal, se Deus quiser toda a sua vida correrá na Suiça, esperamos ao telefonar para lhe dar um beijinho de parabéns e que haja boas noticias para o Bernardo.&lt;br /&gt;A leitura de hoje que fiz no meu a sós com Deus foi em Lucas 12:22-34, que nos exorta a não estar ansioso, ás vezes é tão difícil!!!&lt;br /&gt;Passeamos pela Marginal, gozamos o sol na esplanada da Marina e fomos almoçar, hoje noutro restaurante, no “Ó Lima”.&lt;br /&gt;Depois de descansar voltei à parte interior da cidade, queria ver melhor os prédios da antiga Colónia Alemã, hoje ocupados pelos serviços administrativos do Governo Regional.&lt;br /&gt;È um bairro com prédios rodeados de jardins, hoje a Av. Marcelino Lima, divide o Bairro Alemão do Bairro Inglês e engloba o Americano. Estes três bairros ou melhor esta zona habitacional até à II Grande Guerra 1939-1945, a comunidade alemã residente na Ilha construiu aqueles prédios anti-sismo e outros pormenores de grande conforto, face a certas posições e à nossa “neutralidade salazarista “ os alemães foram obrigados a sair, ficando as casas abandonadas com um representante, que as alugou, depois do 25 de Abril com a Regionalização foram colocados os serviços, o Conservatório de Musica e aproveitado um dos edifícios para o Ministro da Republica, a qual tem uma boa sala com piano para concertos e recepções e outras mordomias e no espaço foi ainda edificado um novo prédio da Assembleia Legislativa dos Açores.&lt;br /&gt;Na Praça da Republica cruzei-me com um grupo de Escuteiros, mais propriamente de Lobitos com a sua chefe a fazer o levantamento das árvores e explicando a razão das pernadas de uma eurocária que no final se dividem em três face ao vento, tinha uma dessas arvores no Colégio onde andei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 de Maio 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos ao Culto à Igreja Baptista da Horta, ficamos impressionados pela quantidade de casais jovens e de crianças, conhecemos a esposa do Pastor e tivemos uma conversa agradável com os seus pais, que vieram ao Faial para assistir ao nascimento do seu segundo neto, neste caso de uma neta a Mariana, que nascerá em breve, já nos tinham sido apresentados, a Nair tirou fotografias que esperamos enviar Gostei de falar com um irmão, o Marco Paulo especialmente.&lt;br /&gt;Domingo, tudo fechado, o “Kabem-todos” e os restaurantes que nos tinham indicados, assim fomos comer ao Bar da Marina, à tarde descobri o “Ponto-come” aberto a 50 m da Residencial.&lt;br /&gt;Mais a volta pela cidade, a sua Marginal, hoje o Pico apresentava-se com um colar de nuvens brancas. Parei no Peter e voltei para a Residencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 de Maio 2008-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia da partida, fechar as contas mais umas voltas, olhar o Canal e o Pico, encontramos os sogros do Pastor e ficamos na conversa, almoço e táxi para o aeroporto.&lt;br /&gt;No aeroporto o avião que nos levaria para o Continente, trouxe o Morais, cumprimentamo-nos através da vidraça, não nevava como no poema de Augusto Gil.&lt;br /&gt;Quase como oferta o avião passou rente ao pico, e com o céu limpo vimos S. Jorge e a Graciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUlNF1B4I/AAAAAAAAABE/STWnsKTjef4/s1600-h/IM003665.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208505967199979394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUlNF1B4I/AAAAAAAAABE/STWnsKTjef4/s200/IM003665.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Até sempre Açores!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 de Maio 2008&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-2073737384468713197?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/2073737384468713197/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=2073737384468713197' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/2073737384468713197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/2073737384468713197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/06/uma-semana-em-dirio.html' title='Uma Semana em Diário'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SEhUk9F1B1I/AAAAAAAAAAs/4wyZse9MFSU/s72-c/IM003556.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-6592606265161900597</id><published>2008-05-16T04:21:00.000-07:00</published><updated>2008-05-16T04:22:43.463-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='memórias'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SC1ubmlcKQI/AAAAAAAAAAg/cj7nDIS8tjQ/s1600-h/avÃ³s+paternos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200934565175896322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SC1ubmlcKQI/AAAAAAAAAAg/cj7nDIS8tjQ/s200/av%C3%B3s+paternos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-6592606265161900597?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/6592606265161900597/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=6592606265161900597' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/6592606265161900597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/6592606265161900597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/SC1ubmlcKQI/AAAAAAAAAAg/cj7nDIS8tjQ/s72-c/av%C3%B3s+paternos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-3048778282872781201</id><published>2008-03-30T08:18:00.000-07:00</published><updated>2008-03-30T08:19:58.944-07:00</updated><title type='text'>Lembrando o 25 de Abril de 1974</title><content type='html'>O vinte e cinco de Abril de 1974, foi o resultado natural de um período de opressão da ditadura do Estado Novo, que nem a Primavera Marcelista colmatou a falta de liberdade em que o País vivia acrescentado pelo pesadelo de uma guerra sem retorno da continuação de um Império Colonial, bem expresso nos versos de Reinaldo Ferreira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menina dos olhos tristes / o que tanto a faz chorar? / - O soldadinho não volta / do outro lado do mar / … /vem numa caixa de pinho / do outro lado do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo nessa mistura de medo, esperança e sonho, em que a música e as letras das canções dava vida à alma dos portugueses, como também expressou António Gedeão nos versos da “ Pedra filosofal”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não sabem que o sonho / é uma constante da vida / tão concreta e definida / como outra coisa qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, procurando dar uma resposta a esse sonho, alguns comunicadores conseguem dar voz, num programa que fez história, o Zip- Zip, trazendo á margem da censura do Estado, um grito de liberdade, e, nele participam a massa – critica dos intelectuais portugueses, músicos e poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade é com poesia que se faz a Revolução dos Cravos, o 25 de Abril de 1974, a senha dada na voz de Paulo de Carvalho com “ Depois do adeus” e a voz inconfundível de José Afonso, no programa “ Limite” do Rádio Renascença, pelas 0.30 horas em “ Grândola Vila Morena” lança as operações que dava fim á situação politica que dominava o País desde 28 de Maio de 1926.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o corolário de tantas outras tentativas, desde o 7 de Fevereiro 1927, passando pelo 20 de Julho 1928, o 4 de Abril de 1931 e o 26 de Agosto de 1931, e o rosto de homens como Norton de Matos, Humberto Delgado, Henrique Galvão, Arlindo Vicente entre outros que nos campos, nas Universidades, nas fabricas sonhavam com um Portugal Novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela manhã os rostos militares como António Spínola, Costa Gomes, Saraiva de Carvalho ou Salgueiro Maia e os rostos civis de Palma Carlos, Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá Carneiro e Salgado Zenha entre tantos outros e outros anónimos que deram até a sua vida para esse dia, sonhando ás mesas dos cafés, nas velhas Sociedades Recreativas, na Casa dos Estudantes do Império, nas Republicas das Faculdade nos amanhos das terras, no escuro das oficinas a estratégia planificada de Melo Antunes abriu as portas de um acordar de um Portugal menos cinzento quando os rostos se abriram num sorriso de esperança, mas, e, como tudo na vida também teve o sabor amargo na Vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Lino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-3048778282872781201?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/3048778282872781201/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=3048778282872781201' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/3048778282872781201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/3048778282872781201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/03/lembrando-o-25-de-abril-de-1974.html' title='Lembrando o 25 de Abril de 1974'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-4326849886682260005</id><published>2008-03-30T08:16:00.000-07:00</published><updated>2008-03-30T08:18:32.273-07:00</updated><title type='text'>Quando o tempo corre para a saudade</title><content type='html'>Jorge Palma, numa sua canção diz:&lt;br /&gt;“…o tempo é nossa invenção / Se abandonarmos as horas / Não nos sentimos sós / Meu amor o tempo somos nós”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na verdade o tempo corre, para os jovens devagar, para os velhos depressa demais. E, neste tempo que se espera uma mudança de vida, a falta de respostas provoca-nos um estado de alma de confusão e a ansiedade nessa nossa invenção como escreveu o poeta que é o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não querendo versejar, escrevi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho saudades&lt;br /&gt;Do tempo&lt;br /&gt;Quando em meu coração&lt;br /&gt;Sonhos alimentava&lt;br /&gt;                                                Quando amando&lt;br /&gt;                                                O meu coração&lt;br /&gt;                                                Sonhos alimentava&lt;br /&gt;O tempo&lt;br /&gt;O tempo os foi levando&lt;br /&gt;Uns ontem…&lt;br /&gt;Outros hoje…&lt;br /&gt;E, sempre num amanhã&lt;br /&gt;O tempo os vai levando&lt;br /&gt;                                                   Tenho saudades&lt;br /&gt;                                                   Desse tempo, amando&lt;br /&gt;                                                   Aqueles que perto estando&lt;br /&gt;                                                   Meu coração&lt;br /&gt;                                                   Seus sonhos me iam alimentando&lt;br /&gt;Agora&lt;br /&gt;No entardecer do meu tempo&lt;br /&gt;Vejo-os como papagaios de papel&lt;br /&gt;Por azuis céus, no tempo&lt;br /&gt;Meus sonhos levando&lt;br /&gt;                                                        E, é neste entardecer&lt;br /&gt;                                                        Do meu tempo&lt;br /&gt;                                                        Tento ainda segurar&lt;br /&gt;                                                        O cordel que os prende&lt;br /&gt;                                                        Para que, mo meu tempo&lt;br /&gt;                                                        Não fiquem só&lt;br /&gt;                                                        As saudades que tenho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fev. 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-4326849886682260005?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/4326849886682260005/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=4326849886682260005' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/4326849886682260005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/4326849886682260005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/03/quando-o-tempo-corre-para-saudade.html' title='Quando o tempo corre para a saudade'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-5901417478417035958</id><published>2008-01-25T09:08:00.000-08:00</published><updated>2008-01-25T09:15:18.075-08:00</updated><title type='text'>Um mal intemporal</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A televisão estreou mais uma telenovela, “Os sete pecados”.&lt;br /&gt;Não vou falar dela, já que só vi o anuncio, mas o titulo trouxe-me á ideia de um pecado que grassa desde sempre e, que é o nosso pecado oculto – a inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inveja veio desde sempre, nasceu com a descendência do primeiro casal.&lt;br /&gt;A inveja originou um tipo de julgamento no Estado de Atenas o “ostrakimós”o qual deu origem á nossa palavra ostracismo, em que quando um cidadão se destacava por um poder extraordinário, e para que a sua ambição não extrapolasse, era banido por um período de dez anos. Esse julgamento era escrito em casca de ostra a razão do termo&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A inveja, ultrapassou civilizações e está sempre presente. Todos os dias ouvimos pelas media o pedido da “cabeça” de um ministro, de um treinador de futebol ou de um administrador de certa empresa, entre outros detentores de decisão. Normalmente, e com excepções, o visado quis mudar o sistema, ou fazer um trabalho de fundo, que poderia dar ou não bons resultados, mas logo no grupo de trabalho a inveja aparece&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;A inveja, manifesta-se por não se ter tido a ideia, por não se ter a capacidade de efectuar o trabalho, ou da projecção que do mesmo possa advir  Raramente nos consciencializamos dos motivos que nos leva á inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Torga, escreveu no seu Diário, volume XIV, 1987:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ È escusado. Em nenhuma área de comportamento social, conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a convivência harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva, como fidagais adversários. Guerreamo-nos na política, na literatura, no comércio e na indústria. Onde estão dois portugueses estão dois concorrentes hostis à Presidência da Republica, à chefia do Partido, à gerência dum Banco, ao comando da corporação dos bombeiros. Não somos capazes de reconhecer no vizinho, o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante do sucesso alheio ficamos transtornados, e, vingamo-nos na sátira, na mordacidade e na maledicência.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Gil, no se livro “Portugal hoje-o medo de existir” escreve a certo ponto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ A inveja, enquanto sentimento, tende imediatamente a agir sobre o invejado. Não é por acaso que as «invejas», pertencem ao vocabulário da Bruxaria.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a inveja não está circunscrita só a esse vocabulário, ela coexiste connosco no nosso dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zuemir Ventura, no seu livro “Inveja – mal secreto”, escreve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quase todas as histórias de inveja, demonstram que dificilmente ela age sozinha, está sempre em má companhia. Pertence a uma família incestuosa, em que ás vezes não se sabe quem é a filha e quem é a irmã, sabemos apenas que todos são parentes. A inveja lembra o ciúme, mas também a cobiça, e com os dois se confunde. È mesquinha como a avareza, e mantém com o ódio relações tão estreitas que há quem diga que uma não existe sem a outra.”&lt;br /&gt;Não foi por inveja que houve o primeiro homicídio que a Bíblia relata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inveja destrói a nossa sociedade e ela grassa até dentro das nossas famílias, realidade que é tão intrínseca no nosso ser, que já o apóstolo Paulo exortava “alegrai-vos com os que se alegram, e chorai com os que choram” Rom.12:15&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhemos para nós mesmos e assim olhando para os outros façamos o nosso contributo, para que no núcleo em que vivemos, pelo menos, ela não campeie e sejamos mais felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia:&lt;br /&gt;Diário – Miguel Torga&lt;br /&gt;A Inveja – Mal secreto Zuemir Ventura – Editora Palavra&lt;br /&gt;Portugal Hoje – O medo de existir José Gil – Editora Relógio D’Água&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Nelson Lino&lt;br /&gt;Janeiro 2008&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-5901417478417035958?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/5901417478417035958/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=5901417478417035958' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/5901417478417035958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/5901417478417035958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/01/um-mal-intemporal.html' title='Um mal intemporal'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-4736381692755762038</id><published>2008-01-14T05:57:00.000-08:00</published><updated>2008-01-14T05:58:53.797-08:00</updated><title type='text'>2008</title><content type='html'>Num mundo cada vez mais global, a Europa deve assumir-se como base de um diálogo inter cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, era pertinente que o ano de dois mil e oito, fosse considerado o Ano Europeu do Diálogo Inter cultural, como já foi declarado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças á União Europeia reassume-se as suas fronteiras do Atlântico aos Urais. A nova Europa não pode esquecer a sua base cultural mediterrânica e helénica, já que foi e será um cruzamento de culturas, de religiões e de comércio, enfim o eixo Oriente, África, Américas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realidade que vem de há muito, pois já o Apóstolo Paulo, nas suas viagens missionárias, se apercebeu de quando em Atenas, se encontrou com alguns filósofos, epicureus e estóicos (1) embora tal como outrora a generalidade das conversas transpuseram gerações e são idênticas (2).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal qual será o nosso contributo para que no final de dois mil e oito, possamos nos congratular de ter conseguido o alvo proposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porventura, teremos de ter a experiência de Pedro em Jope, para olharmos e aceitarmos o nosso vizinho que veio de Leste ou das Balcãs, que nada tem com as nossas raízes culturais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, e, embora com outros nomes, nas nossas cidades encontramos como Lucas relata em Actos dos Apóstolos (3) pessoas oriundas de todas as partes “ partos, medos e elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judeia e Capadócia, Ponto e Ásia, Frigia e Panfilia, Egipto e partes da Líbia, perto de Cirene, forasteiros romanos, cretenses e árabes”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca como hoje será necessário esse diálogo, que acreditamos enriquecedor, e para tal será necessário sair do nosso cantinho, da nossa comodidade, da nossa congregação, recebendo-os como eles são oferecendo-lhes uma nova perspectiva de integração com amor, utilizando a estratégia de Paulo (4) não desprezando a sua cultura, os seus hábitos e até a sua religiosidade, para apresentar-lhes Jesus Cristo, como caminho na tolerância, ao diálogo e como solução para o Homem de hoje, num projecto que todos vamos ganhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1-Actos 17:18&lt;br /&gt;2-Actos 10:9-23&lt;br /&gt;3-Actos 2: 9-12&lt;br /&gt;4-Actos 17:23-34&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Lino&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-4736381692755762038?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/4736381692755762038/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=4736381692755762038' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/4736381692755762038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/4736381692755762038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/01/2008_14.html' title='2008'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-2622043851446239064</id><published>2008-01-14T04:33:00.000-08:00</published><updated>2008-01-14T04:37:14.476-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tXYTNdKZI/AAAAAAAAAAM/PJQk2X6JAz4/s1600-h/Caricatura.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155310273440852370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tXYTNdKZI/AAAAAAAAAAM/PJQk2X6JAz4/s200/Caricatura.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-2622043851446239064?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/2622043851446239064/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=2622043851446239064' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/2622043851446239064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/2622043851446239064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2008/01/blog-post.html' title=''/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tXYTNdKZI/AAAAAAAAAAM/PJQk2X6JAz4/s72-c/Caricatura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-5801428810785346613</id><published>2007-11-08T10:23:00.000-08:00</published><updated>2007-11-08T10:26:33.573-08:00</updated><title type='text'>Os livros que li...</title><content type='html'>Neste mês de Outubro li e reli alguns livros. Dos que li realço “ A Paixão de Colombo” de Margarida Pedrosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa pesquisa e numa ficção bem conseguida, a vida de um homem, que como acontece hoje tem de ir para outras terras para que o seu sonho seja aceite, mais propriamente para Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador Fernandes Zarco, um fidalgo português, ou Cristóvão Colombo, um genovês, que importa, a verdade é que o herói do romance é o retrato do sonhador, daquele que vê mais longe e tal como aconteceu ao seu contemporâneo Fernão de Magalhães teria tido um final feliz, numa cidade chamada Sevilla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ainda dois livros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma pesquisa histórica e numa descrição que nos prende Isabel Stilwell dá-nos a conhecer a vida da Rainha que mudou Portugal – Filipa de Lencastre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa época tão conturbada politicamente, o início da primeira dinastia a entrada de uma personalidade sem o sangue quente latino e guerreiro na Corte de um país que se firmava é uma viagem na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, numa sequência de contos Joanne Harris em “ Danças e contradanças” apresenta-nos boas histórias e descrições de personagens em que a Fé e a Esperança, duas utentes de um Lar para Idosos sobressaem, mostrando que não é a idade e as deficiências físicas matam a determinação das suas personalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reli  Almeida Faria a sua trilogia iniciada pela Paixão, volta não volta Almeida Faria,&lt;br /&gt;José Rodrigues Miguéis, Mia Couto e os sempre presentes Eugénio de Andrade e Alexandre O’Neill  em cima da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amieira do Tejo, 2 de Novembro de 07&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-5801428810785346613?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/5801428810785346613/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=5801428810785346613' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/5801428810785346613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/5801428810785346613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2007/11/os-livros-que-li.html' title='Os livros que li...'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-6914125712350894845</id><published>2007-10-26T05:55:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T05:58:58.010-07:00</updated><title type='text'>1939 - 68 anos passados...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No dia que faço sessenta e oito anos, lembro-me da descrição que Marguerite Yoncenar deu á personagem de Adriano:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ tenho sessenta anos… este fim tão próximo não é necessáriamente imediato, deito-me ainda, todas as noites, com a esperança de chegar ao dia seguinte…certas fracções da minha vida assemelham-se já a salas desguarnecidas de um palácio demasiadamente vasto que um proprietário empobrecido renuncia a tudo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus filhos e seus pares, ofereceram-me uma nova tecnologia para não me sentir só – a ligação à Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece um contra-senso oferecer uma ligação ciber espaço a uma pessoa a que a globalização o aflige, enfim !!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interrogo-me destes anos que vivi, o que me vem ao pensamento é um sentimento de culpa, será só meu como escrevia Dotowesky “ Somos todos culpados de tudo perante todos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim culpa de não ter feito, de não ter decidido no momento certo uma opção, ou o eterno medo de dizer NÃO para não criar conflitos, uma certa cobardia !!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia que faço sessenta e oito anos lembro-me do poema de Eugénio de Andrade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos amei / despido de ternura/ fatigado;/ uns iam, outros vinham;/ a nenhum perguntava/ porque ficava; / era pouco o que tinha, /pouco o que dava;/ mas também só queria/ partilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto sempre duma forma muito concreta o medo e culpa em relação aos meus pais, aos filhos á família que tenho por não ser aquilo com que eles haviam sonhado.&lt;br /&gt;Na necessidade de ser aceite crucifiquei ideias, anseios que me continuam a acompanhar .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje vinte e quatro de Agosto de dois mil e sete, sinto-me como num ontem quiçaz distante de não saber que atitude hei-de tomar, qual a decisão certa para o dia seguinte ,e, como Adriano sinto-me como um actor só numa sala desguarnecida de um palácio, agora gritando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê ???. E, procuro abrigo nas palavras do poeta que um dia escreveu “ Mas eu sei em quem tenho crido…” &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-6914125712350894845?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/6914125712350894845/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=6914125712350894845' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/6914125712350894845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/6914125712350894845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2007/10/1939-68-anos-passados.html' title='1939 - 68 anos passados...'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-8128344944148063867</id><published>2007-10-16T06:50:00.000-07:00</published><updated>2007-10-16T06:55:35.372-07:00</updated><title type='text'>Semeando em campo alheio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;J.S.Vieira, escreveu um pequeno opúsculo que o “ Portugal Evangélico” de Novembro de 1942 incluiu, como sua separata, a que deu o título de «Tese Antiga».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela actualidade do seu conteúdo, apraz-me reproduzir uma parte do mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“… Também as missões de evangelização, abertas ao público em qualquer segundo andar, em casa particular de famílias cristãs, podem, vistas por nós, ser muito respeitáveis, como documento testemunhal, mas, vistas pelos de fora, – que é o que mais interessa para prestigio da Obra Evangélica – não deixarão nunca de ser consideradas como caricaturas de igreja, e uma caricatura inspira, em primeiro lugar, riso. E quando sucede que tais casas de culto (!!!) são vizinhas próximas de Igrejas Evangélicas organizadas e florescentes, doutra denominação; quando sucede, portanto, que a integridade da recomendação apostólica de Romanos 13:20 e II Coríntios 10:16, além de desrespeitada, fica também comprometida, é pena que não haja uma atitude leal de quem possa, por cobro a tam antipática manifestação de espírito de igrejinha, atitude que teria o mérito dum grande gesto, tardio embora mas sempre oportuno…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, lembro-me de um trabalho, da mesma confissão religiosa, ser aberto a escassos trezentos metros da Igreja Evangélica organizada, e de ainda hoje acontecer. Novas Igrejas serem implantadas no mesmo bairro, até de costas com costas, ou porta com porta como acontece na Rua Lucinda Simões, em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam os tempos, e, um texto escrito há mais de sessenta e cinco anos infelizmente é ainda prática corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outubro de 2007&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-8128344944148063867?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/8128344944148063867/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=8128344944148063867' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/8128344944148063867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/8128344944148063867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2007/10/semeando-em-campo-alheio.html' title='Semeando em campo alheio'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-896456341187680074</id><published>2007-09-28T06:34:00.000-07:00</published><updated>2007-09-28T06:38:15.539-07:00</updated><title type='text'>In Memorium</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;font-size:85%;"&gt;Aquilino Ribeiro (1885-1963)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes últimos dias face á transladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional, muito se tem escrito da importância da sua obra como escritor e mestre da ficção contemporânea e como cidadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho a legitimidade de fazer qualquer análise á sua obra, mas gostaria de realçar numa singela homenagem ao escritor o seu sentir perante a criação, na descrição da.  Natureza. Para tanto releio a “Casa Grande de Ramarigães”, e esse sentimento que numa magia de palavras catapulta para a minha mente logo o primeiro capitulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, aí , elementos tão simples, como o vento, um pinhão, o calcanhar de um homem que caminha no seu destino, um gaio, uma bolota, um monte de folhas secas e a Terra, numa  descrição impressionante escreve “ do pinhão, que um pé de vento arrancou ao dormitório da pinha - mãe, e da bolota, que a ave deixou cair no solo, repetido o acto mil vezes, gerou-se a floresta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um encanto e simplicidade o escritor dá-nos a provisão de Deus com a Sua Natureza, e acrescenta mais adiante “ no seu solo abrigado e gordo, nasceram as ervas, cuja semente bóia nos céus ou espera à tez dos poisios a vez de germinar. De permeio desabrocharam cardos, que são a flor da amargura, e a abrótea, a diabelha, o esfondilio, flores humildes, por isso troféus de vitória. Vieram os lobos, os javalis, os zagais com os gados, a infinita criação rusticana, faltava o senhor…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta sequência viva de imagens tão comuns lembramo-nos a obra do Criador, preparando um lugar para o Homem, e depois dando-lhe a responsabilidade de guardar e o cultivar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Setembro 2007&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-896456341187680074?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/896456341187680074/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=896456341187680074' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/896456341187680074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/896456341187680074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2007/09/in-memorium.html' title='In Memorium'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-9061104445016438101</id><published>2007-09-26T04:38:00.000-07:00</published><updated>2007-09-26T04:42:28.381-07:00</updated><title type='text'>Qual o lugar de Deus na nossa sociedade?</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Nunca como hoje em nome de um deus proliferam tantas religiões, umas assumidas outras em pequenos grupos proclamam ser detentoras da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal é um país religioso em que o catolicismo predomina desde a sua fundação, e com essa base e na defesa de proclamar a religião levou missionários para novos mundos abrindo uma nova visão de Missão à Europa, reiniciando-se a globalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esse pretexto fizeram-se guerras, lutas internas, correu muito sangue para que ideias prevalecessem, mas o âmago da questão é a consciência implícita do homem da sua pequenez e da sua necessidade de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1789, aquando da Revolução Francesa, e, feita a primeira Constituição da Republica, podemos encontrar no seu primeiro artigo:&lt;br /&gt;“ Na presença e sob os auspícios do Ser Supremo “ afirma que a ignorância, o desprezo e o esquecimento dos direitos do ser humano são a única causa dos males públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao invocar o Ser Supremo existe um reconhecimento implícito da autoridade e a importância de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos anos mais tarde, a constituição da Republica Alemã, em 1949 afirma no seu preâmbulo:&lt;br /&gt;“Ao ser conscientes da responsabilidade de Deus e dos homens…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um texto ainda consta nas moeda nos Estados Unidos da América “ In God we trust”, em Deus nós confiamos, apesar de movimentos opositores, numa nação que aquando da sua fundação Abraham  Lincoln fechou o seu discurso em Gettysburg com estas palavras” ...que esta nação, por acção de Deus tenha um renascimento de liberdade e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não seja erradicado da terra…”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade cada vez mais secularizada, por uma nova “religião”, um Humanismo Secular e competitivo, que lugar tem Deus na nossa família, na nossa sociedade e até nos governantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promovem-se campanhas de solidariedade quase todos os dias, trazendo à ribalta o bom espírito desse novo humanismo, do parece bem, outras vezes sob um ténue véu de cristianismo, e, na nossa corrida contra o tempo esquecemo-nos ou não temos a consciência que acima de todas as nossas motivações existe Deus, que embora tardo de se irar, continua presente para a Seu tempo julgar as nações e as nossas atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pergunta fica em aberto, está em discussão o futuro da letra do Tratado de Lisboa, que subsistirá a Constituição Europeia, constará a referência do nome de Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seria bom que constasse e que vivêssemos numa sociedade mais justa em que pudéssemos dizer como o salmista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Bem-aventurado o povo a quem assim sucede! Sim, bem-aventurado o povo cujo Deus é o Senhor (Sl.144:15)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agosto 2007&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-9061104445016438101?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/9061104445016438101/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=9061104445016438101' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/9061104445016438101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/9061104445016438101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2007/09/qual-o-lugar-de-deus-na-nossa-sociedade.html' title='Qual o lugar de Deus na nossa sociedade?'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8831513760788130332.post-3705132108857332455</id><published>2007-08-17T14:55:00.000-07:00</published><updated>2007-08-17T16:18:53.724-07:00</updated><title type='text'>Desafio do teu grande fã</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro que tudo dizer que tenho um orgulho tremendo no pai que tenho. Não consigo imaginar ter um pai diferente, e os grandes valores da minha vida foram transferidos pelos teus ensinamentos, mas principalmente pela tua vida.&lt;br /&gt;Desafio-te a que possas dar a conhecer os teus grandes pensamentos, as tuas pequenas histórias, e as profundas reflexões que tens partilhado e que mais pessoas devem conhecer e interagir.&lt;br /&gt;Um beijo especial num dia em que pensei em ti e em que a Sonia colocou em prática com ajuda dos teus amigos Manuela e Manuel Fernandes.&lt;br /&gt;Deus te abençoe e me permita acompanhar a tua caminhada durante muitos anos.&lt;br /&gt;Amo-te&lt;br /&gt;Joca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8831513760788130332-3705132108857332455?l=nelsonlino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nelsonlino.blogspot.com/feeds/3705132108857332455/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8831513760788130332&amp;postID=3705132108857332455' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/3705132108857332455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8831513760788130332/posts/default/3705132108857332455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nelsonlino.blogspot.com/2007/08/desafio-do-teu-grande-f.html' title='Desafio do teu grande fã'/><author><name>Nelson Lino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14283579788504421939</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://bp1.blogger.com/_iV-k3lFSZVY/R4tZTzNdKbI/AAAAAAAAAAY/9KczgU46iyY/S220/Caricatura.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
